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Quem dá a aula aqui?

'Margaridas', comédia de Cecília Ripoll propõe uma discussão sobre educação

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Cinco professoras chegam para uma aula e cada uma supõe que as outras quatro sejam alunas. Deste desencontro nasce "Margaridas", comédia de Cecília Ripoll com direção de Natasha Corbelino que volta ao Teatro Poeira, em Botafogo, a partir de 3 de novembro. Ana Achcar, Bel Flaksman, Dani Barros, Graciana Valladares e Mariana Consoli formam o elenco.

O encontro acontece num espaço de coordenadas incertas — sala de aula ou palco, passado ou futuro. A peça percorre um arco de 200 anos, de 1916 a 2116, e usa o salto temporal para aproximar experiências de ensino e as transformações no lugar social da educação. Na véspera, as cinco passaram por uma situação de violência envolvendo o pai de um estudante, fato que tira a cena do terreno da simples farsa.

Ana Achcar idealizou o projeto a partir de mais de três décadas como professora, diretora e pesquisadora de teatro na UniRio. "Quis estar em cena com essas pessoas que tiveram um papel tão importante na minha vida", afirma. O elenco reúne artistas que também compartilham trajetórias de formação e trabalho.

"Margaridas" nasceu livremente inspirada em "Apareceu a Margarida", texto de estreia de Roberto Athayde montado em 1973 no Teatro Ipanema e consagrado pela interpretação de Marília Pêra, sob direção de Aderbal Freire-Filho. Ripoll e Corbelino desenvolvem uma nova situação dramática, centrada em cinco professoras que disputam a posição de quem ensina e de quem aprende. E a ação se amplia quando as personagens reconhecem as marcas de uma violência comum e o peso de suas próprias histórias.

Corbelino aponta a dificuldade de ouvir quem pensa diferente como questão central da encenação. "A peça nos faz rir das diferenças entre essas mulheres, mas também nos convida a refletir sobre algo muito atual e urgente", diz a diretora.

Para Cecília Ripoll, a escrita começou por conversas e depoimentos da equipe, com relatos que passavam da condição de professora à de aluna, como se os dois lugares nunca estivessem separados. Dali saiu a pergunta que estrutura o espetáculo: e se a trama nascesse de uma confusão absoluta entre quem conduz a aula e quem deveria recebê-la?

A direção de movimento é de Gabriela Luiz; Isadora Medella assina a direção musical; Jovanna Souza, a direção de arte; e Lara Cunha, a iluminação, com assistência de direção de Waleska Arêas, produção da Ciranda de 3 Trupe Produções e fotografias de Ana Alexandrino.

SERVIÇO

MARGARIDAS

Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104, Botafogo)

De 3/11 a 16/12, terças e quartas (20h)

Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia)