Entre o encanto e a turbulência
Coletiva no Museu Histórico da Cidade reúne 33 artistas em reflexão visual sobre a complexidade do espaço urbano carioca
Coletiva no Museu Histórico da Cidade reúne 33 artistas em reflexão visual sobre a complexidade do espaço urbano carioca
O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro recebe até 8 de fevereiro a coletiva "Da Beleza ao Caos - a cidade que habita em nós", reunindo 33 artistas em torno de uma investigação visual sobre as contradições e complementaridades da experiência urbana carioca. Com curadoria de Osvaldo Carvalho, a mostra propõe um olhar sobre a metrópole com suas camadas afetivas e de memória.
A exposição parte de uma premissa do escritor moçambicano Mia Couto, para quem "a cidade não é apenas um espaço físico, mas uma forja de relações". É justamente essa ideia de forja — espaço de transformação, calor e fricção — que atravessa os trabalhos reunidos na mostra. Pinturas, fotografias, vídeos e instalações dialogam entre si como fragmentos de um grande mosaico urbano, onde ordem e desordem, serenidade e inquietação não se opõem, mas se complementam como forças indissociáveis da vida nas cidades.
"Podemos entender quase como um conceito filosófico que a beleza e o caos andam de mãos dadas, nos permitindo apreciar o encanto mesmo sob circunstâncias imperativamente complexas", diz o curador. Essa tensão produtiva entre extremos perpassa toda a exposição, convidando o público a reconhecer nas obras o que Caldeira classifica como "intrincados jogos de relacionamento pessoal e coletivo numa montanha-russa de sentimentos e emoções que vão do meditativo sereno ao incômodo turbulento".
A temática da beleza e do caos como dimensões entrelaçadas da experiência urbana tem longa tradição na cultura brasileira. Da música — como em "Rio 40 Graus", de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Laufer — ao cinema, com o documentário "Neville D'Almeida - Cronista da Beleza e do Caos", passando pela literatura de Thales Amaral e pelo teatro de Nelson Baskerville, emerge uma narrativa recorrente sobre os movimentos íntimos e coletivos da vida nas metrópoles, onde convivem encanto e turbulência.
Os artistas participantes trazem olhares distintos sobre essas questões, recortando a paisagem urbana desde perspectivas que vão "de um simples objeto visual de memórias subjetivas carregadas de afeto, até a matéria bruta e implacável de imagens cotidianas que nos cercam", como define Carvalho. Segundo o curador, há nos trabalhos "um vagar contemplativo que insinua um momento, uma lembrança; uma reflexão sobre paradigmas; uma busca pela essência de qualquer gesto da cidade e de seus habitantes".
A mostra homenageia a artista Lia do Rio e reúne obras de Andréa Facchini, Anita Fiszon, Benjamin Rothstein, Bruno Castaing, Daniela Marton, Fátima Vollú, Gloria Seddon, Helena Trindade, Heloisa Alvim, Jabim Nunes, Kacá Versiani, Laura Bonfá Burnier, Leila Bokel, Luís Teixeira, Luiz Badia, Luiz Bhering, Marcela Wirá, Maria Eugênia Baptista, Marilou Winograd, Mario Camargo, Marcelo Rezende, Osvaldo Carvalho, Osvaldo Gaia, Petrillo, Roberto Tavares, Rodrigo Viana, Rose Aguiar, Regina Hornung, Sanagê, Sandra Gonçalves, Sandra Passos, Sonia Guaraldi e Vania Pena C.
SERVIÇO
DA BELA AO CAOS - A A CIDADE QUE HABITA EM NÓS
Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro (Estrada Santa Marinha, s/nº — Gávea)
Até 8/2, diariamente das 11h às 16h
Entrada franca
