"O Agente Secreto" abre Festival de Brasília com homenagem a Fernanda Montenegro

Por Reynaldo Rodrigues

Noite de abertura do Festival de Cinema de Brasília, com o cast de "O Agente Secreto"

A 58ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou na noite da última sexta-feira (12) no Cine Brasília, combinando emoção, memória e estreia. O evento abriu com uma homenagem à atriz Fernanda Montenegro, que aos 95 anos recebeu o Troféu Candango pelo Conjunto da Obra. A dama da dramaturgia e do cinema nacionais não pôde comparecer, mas o público foi presenteado com um minidocumentário exibido na telona.

 Logo depois, o ator Chico Sant’Anna, um dos grandes nomes da cena cultural da capital federal, foi celebrado pela Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV), em uma homenagem marcada pela emoção.

 

Humberto Araujo - Apresentando pela primeira vez em Brasília o longa de Kleber Merndonça

 Um cinema que foge da pressa

 Na sequência, o público assistiu à aguardada segunda première nacional de “O Agente Secreto”, novo longa de Kleber Mendonça Filho. O cineasta destacou a importância simbólica do festival e do Cine Brasília, que definiu como “uma das grandes salas de cinema do mundo”.

 A produção rompe com o ritmo acelerado típico de Hollywood ao construir a tensão logo de início, com recursos semelhantes ao diretor Quentin Tarantino, sem deixar de lado o humor e suspense que viraram caracteristicas de Kleber.  Toda essa atmosfera recupera a magia de contar uma história sem revelar imediatamente todos os fatos, nos prendendo na cadeira com as mãos suadas ao longo de suas 2h40. As tramas paralelas, que parecem independentes, aos poucos se cruzam e se afunilam em direção a um enredo central, sustentando o suspense até o desfecho.

Raquel Camargo - Fernanda Montenegro foi homenageada na abertura do Festival

 Homenagem e continuidade

 A cerimônia de abertura foi conduzida pela jornalista e agitadora cultural Luiza Garonce e pelo ator Fabrício Boliveira. O secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes, anunciou a data da próxima edição do festival: de 11 a 19 de setembro de 2026.

 Já Alexandra Teixeira, gerente de Patrocínio da Petrobras, ressaltou a importância da retomada da parceria histórica com o evento, justamente no ano em que o festival completa 60 anos e se celebra também o marco de três décadas da Retomada do cinema brasileiro, inaugurada por “Carlota Joaquina - A Princesa do Brasil”.

 À frente da Secretaria do Audiovisual, Joelma Gonzaga celebrou a democracia e a soberania nacional, lembrando influências de Vladimir Carvalho, que dá nome à sala de projeção do Cine Brasília, e da cineasta Lúcia Murat, homenageada deste ano com o Prêmio Leila Diniz.

 

Divulgação - Diretor Kleber Mendonça

Mostras e competição

 A programação especial inclui, pela primeira vez, exibições no Teatro Sesc Silvio Barbato, no Setor Comercial Sul. Neste sábado (13), o espaço recebe a Mostra História(s) do Cinema Brasileiro, com “Relâmpago de Crítica Murmúrios de Metafísica”, de Julio Bressane e Rodrigo Lima. Também serão apresentados os curtas de Kleber Mendonça Filho já exibidos em edições anteriores do festival — “Vinil Verde” (2004), “Noite de Sexta, Manhã de Sábado” (2007) e “Recife Frio” (2009) — além de “Terceiro Milênio”, de Jorge Bodanzky e Wolf Gauer, na Mostra Clássicos.

 Já a Mostra Competitiva Nacional começa neste sábado, com exibições no Complexo Cultural de Planaltina e no Cine Brasília. A noite de estreia traz os curtas Logos, de Britney Federline, e Safo, de Rosana Urbes, além do longa Morte e Vida Madalena, de Guto Parente.