Musical sobre a vida e obra do Poeta da Vila estreia temporada no Teatro Prudential

História de Noel, recheada de som, humor e poesia, também é pontuada pelas noitadas em bares e a luta contra a tuberculose

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Fábio Enriquez (E) e Alfredo Del-Penho se dividem no papel de Poeta da Vila

Nascido no início do século passado, em 1910, Noel Rosa não chegou a completar 27 anos e, mesmo com tão pouco tempo de vida, tornou-se um dos maiores compositores da música popular brasileira. Fez mais de 200 músicas e falou da boemia, dos marginalizados, do Rio de Janeiro e do Brasil em clássicos como "Gago Apaixonado", "Com que Roupa" e "Fita Amarela".

A história de Noel, recheada de som, humor e poesia, também é pontuada pelas noitadas em bares e a luta contra a tuberculose. Noel morreu em 1937 e, para comemorar os mais de 110 anos do compositor, o musical "Noel Rosa: Coisa Nossa" estreia no dia 31 de agosto no Teatro Prudential, sob a direção de Cacá Mourthé e com texto de Geraldo Carneiro, membro da Academia Brasileira de Letras e conhecedor de todos os meandros musicais e poéticos da obra do Poeta da Vila.

"O maior desafio do espetáculo é trazer para o texto o senso lúdico e o humor anárquico do Noel. Espero que isso esteja presente no espetáculo. Sua arte está viva e atual por causa dessa mistura dele de lirismo e humor sem precedentes na música brasileira", afirma Geraldo.

No palco, Alfredo Del-Penho, que também assina a direção musical do espetáculo, e Fábio Enriquez dão vida ao compositor, acompanhados por um grupo musical de choro-samba, ao vivo. O espetáculo vai revelar ao público as cenas mais divertidas e emocionantes da vida de Noel Rosa, bem como alguns casos curiosos que deram origem à obra do artista. Além de resgatar sambas e choros do músico e de seus principais parceiros, por meio de um repertório cuidadosamente selecionado.

"Nessa montagem, teremos dois atores protagonizando e mostrando que essa herança somos nós. Todos somos Noel. Meu desafio vai ser trazer a vida e a poesia de Noel Rosa para as novas gerações", afirma Cacá Mourthé.

Noel é tão amplo e diverso que é capaz de ser representado por dois atores tão diferentes fisicamente. Alfredo é moreno e alto, enquanto Fábio é louro e baixo, mas essa diferença não fica evidente com a unidade da interpretação dos dois.

"A teatralidade construída entre eu e Alfredo está embasada em 10 anos de amizade, desde os tempos da Barca", avalia Fábio. Os dois fizeram parte da premiada companhia A Barca dos Corações Partidos, conhecida por espetáculos como "Auê", "Ópera do Malandro", "Gonzagão, a Lenda", "Suassuna, o Auto do Reino do Sol", entre outros. "Na Barca, todos os atores têm que aprender a tocar um instrumento, seja sopro, percussão, harmonia ou canto. E essa característica está presente também em 'Noel', onde todos cantam e tocam", afirma Alfredo.