Niomar Bittencourt, a alma fundadora
Jornalista e proprietária do jornal Correio da Manhã, Niomar Muniz Sodré Bittencourt (1916-2003) nasceu em Salvador (BA) e teve uma atuação de destaque na imprensa brasileira. Desde muito jovem começou a escrever novelas, contos e crônicas, colaborando mais tarde em jornais e revistas como A Noite, Vamos Ler, Carioca e, especialmente, no Correio da Manhã.
Paulo Bittencourt foi diretor-proprietário do jornal Correio da Manhã. Com seu falecimento, em 1963, Niomar tornou-se proprietária e diretora do jornal que teve atuação destacada na queda do governo constitucional, em 1964, com os artigos "Basta" e "Fora".
Em 1948, participou da fundação do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, juntamente com seu marido, Paulo Bittencourt. Em 1951, Dona Niomar foi eleita diretora do MAM pela assembleia geral.
Na instalação do Museu, durante os quatro primeiros anos, a visão de Niomar, a vencedora, se opunha ao espírito tradicionalista e aristocrático de Raymundo Castro Maia, presidente do Conselho, Niomar reivindicava para si o papel de agente da mudança e determinava que ainda era "preciso traçar uma linha de ação, de conduta, esquecendo tudo o mais".
Em sua gestão o museu, vestido da imagem de Niomar Moniz Sodré, em lugar de querer gerar atitudes contemplativas diante do mundo em mudança, procura criar-se como lugar de novas ações e intervenções na sociedade. Niomar Moniz Sodré, cultivando a imagem do empreendedorismo, reconhecia em seu trabalho pelo Museu a produção de resultados que era digna desse nome e caracterizava cada um de seus esforços como exercício ativo da direção.
Consagrado em sua gênese pela força, talento e coragem de Niomar levaram ao tripé que hoje se comemora: museu-educação-cidade.
Fonte: Pretérito do futuro: o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e seu projeto de modernidade, de Sabrina Marques P. Sant'anna
