Com um ano e meio de gestão à frente de Itatiaia, o governo Irineu Nogueira sofre sua maior baixa: na manhã desta segunda-feira, dia 11, o vice-prefeito Denilson Sampaio entregou uma carta ao prefeito pedindo a sua exoneração do cargo de secretário de Turismo da Prefeitura. A cidade, que viveu um enorme imbróglio político que movimentou quatro eleições nos últimos anos, agora enfrenta o racha que pode mudar o rumo da sua história. Ao CORREIO SUL FLUMINENSE, o vice-prefeito e ex-secretário Denilson Sampaio contou os bastidores dessa decisão que é a principal pauta política do sul do estado.
CSF: O que motivou a sua saída da gestão?
Denilson Sampaio: Não há possibilidade de trabalhar nessa gestão e eu tenho uma vida marcada pelo trabalho. Nossos projetos que foram promessas à população não foram cumpridos. Ao contrário do prefeito, eu sou morador de Itatiaia e ando nas ruas. As pessoas reclamam comigo sobre os diversos problemas da cidade, problemas que seriam resolvidos com os projetos que nós idealizamos juntos para Itatiaia. Tentei, por diversas vezes, oferecer soluções que poderiam mudar a vida das pessoas. Sempre enfrentei resistência de parte do grupo e não fui ouvido.
CSF: Quais os maiores problemas de Itatiaia hoje que o senhor considera que os projetos de governo poderiam sanar?
Denilson Sampaio: As pessoas não tem nem água. São dias e mais dias sem água e a gestão não inicia o processo de infraestrutura que resolveria de vez essa questão. Não são soluções do dia para a noite, mas é preciso conhecimento do processo público e coragem para iniciar. Só assim a história da cidade vai mudar. Itatiaia não tem uma grande obra sequer. A saúde não melhorou. O servidor público está sofrendo com a desvalorização. A cidade não cresce, não gera emprego e quem sofre são os mais vulneráveis, quem mais precisa.
CSF: Você e o atual prefeito já foram rivais e então resolveram se aliar. Quais foram os bastidores dessa união?
Denilson Sampaio: Eu fui secretário de Desenvolvimento Econômico de 2009 a 2016. Trabalhei muito para criar uma lei de incentivo fiscal que até hoje é referência em todo o estado para captação de empresas, geração de emprego e aumento de arrecadação. Em 2016, era natural que me candidatasse a prefeito. Foram mais de cinco mil votos conquistados por esse capital político baseado no trabalho, numa campanha sem muitos recursos. Já em 2020, pensando na renovação política que a cidade precisava, eu já havia iniciado uma conversa com o então empresário Irineu Nogueira para construirmos um projeto inovador, mas ele não aceitou. Com todo o caos que se instaurou em Itatiaia, com a saída do prefeito que havia sido eleito e convocação de novas eleições, nós conversamos novamente e decidimos compor uma chapa.
CSF: Quais foram os termos dessa união Denilson Sampaio e Irineu Nogueira?
Denilson Sampaio: Nunca pedi nada para mim. Nosso projeto era com a cidade. Construímos o Plano de Governo com propostas viáveis, factíveis e que já poderiam ter sido iniciadas ou mesmo concluídas. Desde que assumimos, não houve vontade política para a execução. As propostas que construímos para a saúde não saíram do papel. O Centro de Capacitação Municipal já tinha terreno doado desde 2012, projeto elaborado e nunca aconteceu. Assim como a Moeda Social, que é uma importante e reconhecida ferramenta de distribuição de renda, foi um compromisso com a população e também não foi implantada, mesmo tendo os recursos necessários. Aliás, os projetos para a cidade não carecem de falta de recursos. Para a Estrada Parque, que ligaria o principal polo de turismo da cidade ao Parque Nacional, nós conseguimos mais de R$ 80 milhões do Governo do Estado e o atual prefeito solicitou o cancelamento do processo, após a liberação da verba.
CSF: Como se deu a conversa de rompimento com o prefeito?
Denilson Sampaio: Foi uma conversa respeitosa. Não há qualquer tensão pessoal da minha parte para o Irineu. Sinceramente, eu lamento muito. O sentimento da cidade é de decepção. Tínhamos a esperança de ver a história da cidade mudar. E tivemos mesmo todas as condições para isso. Faltou vontade política e essa vontade precisa partir do chefe do Executivo. Não poderia ficar inerte, acomodado num cargo público. Sempre entreguei trabalho. A minha vida é pautada no trabalho.
CSF: Quais os planos a partir de agora?
Denilson Sampaio: Ainda é tudo muito recente. O primordial agora é prestar contas à população. Fizemos um trabalho incrível à frente da Secretaria de Turismo, com um calendário inovador de eventos, como o Primeiro Festival de Balão e ações pioneiras em parceria com a cidade, mesmo enfrentando a resistência de parte do grupo político.