Por: Wellington Daniel

Despreparo na resposta às chuvas

Fiscalização nos pontos de apoio - Petrópolis | Foto: Divulgação

Por Wellington Daniel

A Comissão Especial de Fiscalização dos Pontos de Apoio da Câmara de Vereadores de Petrópolis divulgou um balanço das vistorias realizadas nos primeiros 27 dos 66 locais que devem ser visitados. O grupo, presidido por Júlia Casamasso (PSOL) e com a participação de Hingo Hammes (União) e Marcelo Chitão (PL), apontou que a maioria dos abrigos não têm condições de receber a população, caso seja necessário um deslocamento.

Em um primeiro momento, o grupo visitou os pontos em localidades de maior vulnerabilidade e risco no primeiro e segundo distrito. A ideia é completar a fiscalização até 30 de novembro. Um relatório completo será lançado na primeira quinzena de dezembro, em audiência pública.

A comissão divulgou que, destes 27 pontos já fiscalizados, 52% estão em locais de alto risco e 83,3% não possuem sinalização no entorno do local indicando o caminho até o ponto de apoio. Há, ainda, 92% que não têm capacidade para receber animais e 76,9% não possuem equipamentos de comunicação, como telefone ou rádios, para manter contato com equipes de resgate e autoridades locais. E, também, 88% não têm capacidade de virar abrigo, caso seja necessário manter as famílias por mais de 12 horas, como foi nas chuvas de 2022.

"Existem muitas questões preocupantes. Na prática, o que aconteceu em 2022, foi que muitas escolas viraram abrigos. Visitamos locais que ficaram três meses com famílias. Por isso, a importância de haver alguma possibilidade de transformação desses pontos de apoio em abrigos quando o desastre acontecer. Alguns relatos nos indicam também de que há pontos que estão no caminho de possíveis trombas d'água e áreas de alagamento", ressaltou a vereadora Júlia.

Já o vereador Chitão, ainda não vê motivos para preocupações significativas. Para ele, é necessário avançar na fiscalização para a elaboração de um relatório detalhado.

"Embora tenhamos explorado alguns pontos, ainda estamos em um estágio inicial para tirar conclusões. A comissão precisa elaborar um relatório detalhado após avançarmos nas vistorias. Identifiquei áreas que realmente precisam de melhorias, mas, na minha perspectiva, por enquanto, não vejo preocupações significativas. No entanto, é necessário aguardar um pouco mais para finalizar o processo de levantamento e, posteriormente, as conclusões", disse o parlamentar.

Ônibus não cumprem o Plano Verão

O transporte público ainda não respeita o plano de contingência das chuvas, conforme mostrou o Correio Petropolitano na última semana. A reportagem flagrou até mesmo coletivos da viação Petro Ita, que passam pela Rua Coronel Veiga, sem a demarcação do limite do volume de água, que faria com que os coletivos fossem evacuados.

Estas medidas foram definidas em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), após dois ônibus da Petro Ita serem arrastados para dentro do Rio Quitandinha, na Coronel Veiga, nas chuvas de fevereiro de 2022. A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) oficiou as empresas para que cumpram o plano de contingência.

Prefeitura

Procurada sobre os pontos de apoio, a Prefeitura não respondeu até o fechamento desta edição. O Setranspetro também não informou sobre o não cumprimento do Plano Verão.

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