Mais de 16 mil casas em Petrópolis estão localizadas em áreas de risco muito alto para deslizamentos

Por Yasmim Grijó

Tragédia das chuvas em Petrópolis em 2022

Por Yasmim Grijó

Um relatório elaborado pela Casa Fluminense, uma organização da sociedade civil dedicada à política e ações públicas na região metropolitana do Rio de Janeiro, divulgou uma análise abrangente da crise climática, com base nos dados do Censo Demográfico de 2022.

De acordo com o estudo, Petrópolis, com 278 mil habitantes, se destaca entre os 22 municípios pesquisados, por apresentar um percentual consideravelmente maior de 12,3% de casas localizadas em áreas de alto risco de deslizamentos, totalizando 16.977 residências.

Além disso, as inundações representam outra realidade desafiadora para a cidade. Das residências recenseadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10.075 estão situadas em áreas com alto risco de inundações em Petrópolis. Considerando todas as 22 cidades pesquisadas, cerca de 20% das residências, o que equivale a pouco mais de 1,1 milhão de domicílios, enfrentam essa mesma situação.

Vale destacar que nesse relatório foram examinados os relatórios de desastres ambientais comunicados à Defesa Civil nacional pelos municípios e pelo estado do Rio de Janeiro nos últimos quatro anos, de 2020 a 2023. Esses dados são compartilhados em casos de emergência que demandam intervenção federal, proporcionando informações sobre a magnitude do desastre, incluindo o número de pessoas afetadas, residências e infra estruturas impactadas.

Desastres ambientais

Dentro do estudo, foram analisados os registros de desastres ambientais comunicados à Defesa Civil nacional pelos municípios e pelo estado do Rio de Janeiro nos últimos quatro anos, de 2020 a 2023.

Esses dados são comunicados quando a situação de emergência demanda intervenção federal, abrangendo informações sobre o desastre, como número de afetados, residências e infra estruturas impactadas. A entidade ressalta que nem todos os eventos climáticos são registrados nessa base de dados, mas ela fornece uma visão essencial para compreender a complexidade e a magnitude do problema nos territórios. As ocorrências consideradas incluem alagamentos, ciclones, deslizamentos, enxurradas, frente frias/zonas de convergência, inundações e tempestades locais/convectivas.

Afetados por eventos climáticos

O Rio de Janeiro, devido à sua maior extensão territorial e população, abriga a maior parte dessas casas, com aproximadamente 40%, seguido por Duque de Caxias, com 15%; São Gonçalo, com 8%; e Magé, com 7%. Isso significa que um em cada cinco domicílios particulares na metrópole está em áreas com alto risco de inundações, enquanto um em cada 100 está em áreas com alto risco de deslizamentos de terra.

Quanto à infraestrutura pública afetada, como instalações de saúde, educação, comunitárias e outros serviços, o relatório identificou 737 danos e seis destruições, totalizando um prejuízo estimado em R$ 472 milhões no estado. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, foram registrados 296 casos de infraestrutura pública danificada e uma destruída, totalizando cerca de R$ 140 milhões em prejuízos.

Casa Fluminense

A Casa Fluminense trabalha com a produção de narrativas e dados que evidenciam as desigualdades sociais na metrópole, com ênfase nas questões de raça e gênero. No contexto mais amplo da Justiça Climática, a organização também aborda o conceito de racismo ambiental, destacando a exposição desigual de certas populações aos riscos socioambientais, influenciada pela localização geográfica e características sociopolíticas, econômicas e ambientais de determinadas regiões.