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Valdemar informa a Jair Bolsonaro: sai Flávio, entram Tarcísio e Michelle

A estratégia é trabalhar o nome da primeira-dama; se não emplacar como candidata, articular uma chapa dela como vice do governador de São Paulo

Por Tales Faria

Valdemar Costa Neto

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está reassumindo o comando do partido. Desde que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro se filiou à sigla, Valdemar passou a comandar o caixa do PL, mas passou a Bolsonaro a última palavra sobre questões políticas e eleitorais, incluindo alianças e filiações.

Esse acordo sofreu alguma modificação quando Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Valdemar passou a exercer maior poder de decisão sobre alianças nos estados e filiações. Mas quando o ex-presidente nomeou seu filho Flávio como candidato a presidente da República, o comando político integral voltou ao clã.

Agora que Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha ao Palácio do Planalto, Valdemar reassumiu o comando total e já começou a redesenhar a estratégia do PL para os próximos anos. Essa estratégia passa pelo fortalecimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O presidente do PL não vê em Carlos Bolsonaro e nenhum outro filho, ou filha, do ex-presidente condição de assumir o papel de possível candidato da sigla a presidente da República. Esse espaço, segundo ele, só poderá ser ocupado por Michelle Bolsonaro.

Mesmo assim, para Valdemar, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem mais chances de assumir a liderança da direita do país como candidato a presidente da República em 2030.

A estratégia é trabalhar o nome de Michelle e, mais na frente, se ela não emplacar como candidata, articular uma chapa dela como vice de Tarcísio. Juntaria o apelo popular do nome Bolsonaro à capacidade de articulação do governador de São Paulo.

O presidente do PL já apresentou à própria ex-primeira-dama sua ideia. Michelle era, na verdade, sua candidata, antes de Bolsonaro anunciar que escolhera o filho. Ela não se opôs à estratégia, mas sabe que não agrada muito ao marido entregar seu espólio político à esposa.

Valdemar tratou então, de ter uma primeira conversa com Bolsonaro sobre o assunto. Seu encontro desta quinta-feira, 29, com o ex-presidente foi para comunicar essa estratégia, mesmo sabendo que Bolsonnaro não morre de amores por passar a uma mulher a liderança política do clã. De fato, segundo o presidente do PL deu a entender a integrantes do partido, Bolsonaro não pareceu muito feliz, mas ele não tem como vetar agora.

Na verdade, a prioridade do ex-presidente nesse momento – e o que mais deverá ocupá-lo e demandar apoios políticos – é tentar que o Congresso aprove algum tipo de anistia ou indulto capaz de liberá-lo da cadeia.

A oportunidade é um acordo com o centrão para reeleger Davi Alcolumbre (União-AP) como presidente do Senado, em troca de sua liberdade. Esse acordo incluiria também convencer os senadores do PL a desistirem do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).