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Vitória de Lula obriga PL a refazer planos

Líder do Partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante já anuncia que não será mais candidato a presidente da Casa

Por Tales Faria

O líder na Câmara não será mai candidato a presidente da Casa

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), disse à coluna que não concorrerá mais à presidência da Casa. O motivo, sem meias palavras, foi a derrota do candidato do partido, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto.

“Eu sempre disse que só seria candidato com o Flávio eleito presidente”, declarou Sóstenes à coluna.

A eleição de Lula surpreendeu absolutamente o PL, apesar de praticamente todas as pesquisas de opinião terem apontado empate entre os candidatos, na margem de erro, na reta final da campanha eleitoral.

O partido varou a noite discutindo uma virada na sua estratégia no Congresso durante o governo Lula. Antes, a avaliação era de total domínio na Câmara e no Senado, com o apoio do centrão e de todos os partidos com viés de direita. Agora os parlamentares do PL acreditam que terão que fazer oposição ao governo praticamente isolados.

A expectativa é de que o centrão se alie ao governo Lula, capitaneado pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ontem mesmo o MDB já soltou nota parabenizando Lula. Ronaldo Caiado, que foi candidato do PSD, também parabenizou o presidente.

Flávio Bolsonaro já anunciou que não reconhece o resultado das urnas. Em entrevista após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciar a vitória de Lula, o candidato do PL declarou que seu partido irá pedir a anulação da eleição. Ele criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin que estendeu o horário de votação em todo o país.

Zanin explicou que atendia a uma reclamação do PT de que houve problemas no deslocamento de eleitores até os locais de votação em dez estados. O pedido abrange cidades de São Paulo, Bahia, Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco e Roraima em sua maioria geridas por prefeitos aliados de Bolsonaro. Mas Zanin também citou pedido do PL para adiar o fechamento das urnas em cidades de Minas Gerais e no Paraná devido às fortes chuvas desse final de semana.

Também pré-candidato a presidente do Senado, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (RN), não chegou a anunciar a desistência de concorrer. Mas, no partido, a expectativa é que isso ocorra cedo ou tarde. O centrão já tem uma pré-candidata ao cargo que era considerada tão ou mais forte do que Marinho, a senadora Teresa Cristina (PP-MT), além do próprio presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Caso Lula fosse derrotado, Alcolumbre dificilmente se reelegeria. Ele se manteve aliado ao governo até os últimos dias da eleição, comandando a aprovação do projeto que Lula considerava o mais importante para a sua campanha: a derrubada da jornada de trabalho 6x1 (seis dias semanais por um de folga).