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Maioridade penal é vacina de Flávio contra fim da 6x1

Emenda propondo diminuir de 18 para 14 anos maioridade penal empacou aprovação da PEC da Segurança Pública e será arma para debate eleitoral do domingo

Por Tales Faria

Para barrar proposta da oposição, Camilo Santana (PT) apresentou emenda propondo diminuição da maioridade penal mais branda

Os debates da Globo e da Band, assim como as sabatinas dos dois candidatos a presidente após o Jornal Nacional, são a prioridade das equipes de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nessa reta final das eleições.

A preocupação com esses eventos se tornou ainda maior diante das últimas pesquisas eleitorais, com empate na expectativa de votos entre os dois candidatos. Apontam para uma decisão por diferença mínima – no fotochart, como se diz nas corridas de cavalo. A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 15, pontuou 51% do eleitorado em favor de Flávio Bolsonaro contra 49% para Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais para cima e para baixo.

A equipe do candidato do PL viu a aprovação da derrubada da escala 6x1 pelo Senado, na quarta-feira, 14, como um evento capaz de influir no resultado das eleições. Até sexta-feira não havia segurança sobre o peso dessa votação junto ao eleitorado, mas ela acendeu o alarme entre os bolsonaristas.

O candidato do PL e seus assessores trataram de buscar uma possível "vacina" contra a influência da derrubada da 6x1 para ser usada já no primeiro debate eleitoral, marcado para o domingo, 18 – o debate da Band.

A expectativa de Flávio e seus assessores é de que Lula explore no debate o tema da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da derrubada da 6x1 aprovada pelo Congresso. Tanto que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União AP), uma aliado de Lula, marcou às pressas a promulgação da PEC para esta sexta-feira, 15, que antecede o debate.

A ideia é usar a promulgação como um evento que chame mais atenção ainda para a redução da escala de trabalho, beneficiando eleitoralmente o presidente.

A "vacina" encontrada pelos marqueteiros de Flávio Bolsonaro é tentar inflar no debate do domingo o tema da diminuição da maioridade penal. Para petistas e progressistas em geral, a possibilidade de prisão de menores de 18 anos é um tema tabu, que opõe o partido a uma parcela considerável do eleitorado. É capaz de causar quase tanto constrangimento na esquerda quanto causa aos bolsonaristas o tema da derrubada da escala 6x1, conquistada pelo governo no Congresso e que é apoiada pela grande maioria da população.

Para colocar em pauta o tema da diminuição da maioridade penal, os aliados de Flávio Bolsonaro apresentaram uma emenda propondo a diminuição de 18 para 14 anos na PEC da Segurança Pública, que Alcolumbre havia pautado para quinta-feira,15.

Os governistas reagiram com emenda do líder petista, Camilo Santana (CE), propondo uma emenda com a diminuição da maioridade seria só até 16 anos, e que valeria apenas para crimes hediondos. Uma parcela da esquerda abriu novo flanco de polêmica, por considerar a emenda proposta pelo governo uma concessão inaceitável.

O resultado foi um impasse nas negociações da PEC em plenário, o que levou Alcolumbre a suspender a votação.

Nessa batalha, a oposição parece ter-se saído melhor. Evitou a aprovação da PEC, que Lula defende para poder criar o Ministério da Segurança Pública, e evitou também que o governo tivesse mais um tema para cantar vitória no debate de domingo. Além disso, colocou novamente em discussão na sociedade a questão da diminuição da maioridade penal.