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A polarização é entre petistas e não petistas

Bolsonarismo soube se aproveitar do fim da polarização entre sociais-democratas, mas o PT não soube se livrar do antipetismo

Por Tales Faria - BSB

Agência Brasil

As últimas pesquisas eleitorais para presidente da República apontaram empate quase absoluto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Vamos falar francamente: concorre um candidato com longo currículo e admiração internacional contra outro sem nunca ter ocupado um cargo executivo, sem história, nem literatura, digamos assim.


O currículo de Flávio Bolsonaro caberia em menos de uma linha: “filho do ex-presidente Jair Boslonaro (PL)”. Mesmo assim, um currículo polêmico, na medida em que o governo de seu pai teve vários problemas – desde a fila do osso até as 700 mil mortes na pandemia do Covid com o chefe da nação contrário às vacinas.

Então por que Flávio chega ao final da campanha empatado com Lula? Porque a eleição não foi entre ele e Lula, mas entre os que defendem o PT e os que são contrários aos petistas. O antipetismo definiu um teto de votos de Lula.

Foram anos e anos de polarização entre petistas e tucanos, especialmente no sul e no Sudeste, a regar com as águas amargas do rancor o sentimento de antipetismo em uma parcela do tucanato.

Quem conheceu com certa proximidade Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Mario Covas, por exemplo, sabe que eles têm muito menos a ver com Jair Bolsonaro do que com Lula. A polarização entre PT e PSDB era uma disputa entre sociais-democratas e sociais-democratas de esquerda.

Mas o rancor levou boa parcela dos sociais-democratas mais à direita do tucanato para o lado de Bolsonaro. Vale assinalar que no Nordeste, onde a polarização com o PSDB nunca foi tão forte, não restou rancor e o bolsonarismo não se expandiu, nem o sentimento antipetista.

Os aliados de Jair bolsonaro pelo país souberam se aproveitar da derrocada dos sociais-democratas do PSDB, aproximando-se dos antipetistas, enquanto Lula e os petistas não souberam engordar o sentimento antibolsonarista nesse período, nem amenizar o antipetismo que poderia ser diminuído entre aqueles que acabaram optando pela família Bolsonaro.

Resultado: é falsa essa polarização entre Lula e Bolsonaro. O que houve foi o fim da polarização entre PT e PSDB, com uma grande parcela da sociedade sem opção e que acabou se aliando ao bolsonarismo apenas porque prevaleceu o antipetismo.

A polarização não é entre Lula e os Bolsonaro, ficou entre os petistas e os não petistas