FHC, Lula e Collor não perderam eleição por faltar aos debates
Os três apresentaram motivos variados e foram criticados, mas faltar aos debates era apenas uma estratégia de campanha que deu certo
Sabe o que há de comum entre Fernando Collor de Mello (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)? Em 1989, 1998 e 2006 eles se recusaram a participar de todos – todos! – os debates de primeiro turno. Lula e FHC já eram presidentes, mas Collor, não. Sabe o que há de comum também entre eles? Todos venceram a eleição, apesar da recusa.
Há mais uma coisa em comum: nenhum deles admite que faltou aos debates por um motivo estratégico-eleitoral.
A equipe de campanha de FHC afirmou que o então presidente da República precisava manter o foco na gestão do país em meio à grave crise econômica internacional (a crise asiática e russa) que ameaçava a estabilidade do Plano Real. Também reclamava da legislação na época, que obrigava a participação de todos os 12 candidatos a presidente.
Quando Lula recusou, em 2006, seu governo vivia sob o fogo do escândalo do Mensalão. O então presidente enviou uma carta à Globo argumentando que sua presença transformaria o debate em uma "arena de ataques pessoais". A Globo não aceitou a explicação e mandou colocar uma cadeira vazia no cenário. Mesmo assim, Lula venceu nas urnas.
Collor nem era presidente em 1989, mas já estava como líder nas pesquisas quando recusou participar de debates no primeiro turno. Inclusive um que se tornou histórico, o da Band, primeiro após a democratização do país em que os candidatos se digladiaram abertamente provocando risos, vaias e palmas da plateia. Collor recusou participar alegando que o formato televisivo não permitia a apresentação profunda de propostas e serviria apenas para ataques coordenados da oposição contra o líder das pesquisas.
Nenhum deles foi penalizado pelos eleitores. Ao contrário: todos foram premiados pelas urnas a seu tempo por obedecer a seus marqueteiros, prenhes de avaliações baseadas, em geral nas pesquisas eleitorais.
É exatamente isso que moveu o presidente Lula ao informar à Globo que não vai ao debate. Preferiu marcar uma entrevista nessa mesma quinta-feira ao podcast Flow. O programa da Globo está marcado para as 21h30, o podcast vai ao ar às 20h45.
A equipe da campanha de Lula nega que ele esteja fugindo do confronto com os candidatos. A explicação é que o presidente gostaria de debater frente a frente com Flávio Bolsonaro e que os outros candidatos presentes – todos de direita – só serviriam para atuar como "muleta" ou "escada" contra o único nome da esquerda presente.
Não deixa de ser verdade. Pablo Marçal (PRTB), por exemplo, dizia que não seria força auxiliar de ninguém. Mas, depois que a Justiça negou a Marçal o registro de candidato, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que ele irá colaborar na sua campanha a presidente nas áreas de empreendedorismo e de autonomia financeira das mulheres.