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Vorcaro está feliz na Papudinha, onde ainda prepara delações

Depois de ter recusadas duas delações premiadas, ex-banqueiro ainda permanece na Papudinha - feliz - preparando uma proposta para apresentar com novo presidente eleito

Por Tales Faria

reprodução video

Está redondamente enganado quem pensa que Daniel Vorcaro anda deprimido na prisão. Ele está na chamada Papudinha, apelido dado ao prédio do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), localizado na área do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Trata-se de uma unidade militar menor e mais controlada que os presídios comuns do complexo. Serve como alojamento, e também abriga presos com prerrogativas especiais (como policiais militares ou autoridades) em salas de Estado-Maior.

Por lá já se hospedou, digamos assim, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além de Vorcaro, também está na Papudinha o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Vorcaro tem lido livros em inglês e anda bastante bem-humorado nos últimos dias, segundo as pessoas com quem conversa. Ele não está por fora dos acontecimentos. Recebe todos os dias para audiências, separadamente, quatro advogados, que não só o mantêm a par dos descaminhos jurídicos de sua vida e de seus negócios, como também dos acontecimentos do país, especialmente no campo político.

O ex-banqueiro foi transferido para a Papudinha em junho por determinação do ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha do local permitia que o ex-banqueiro tivesse maior interação com os advogados enquanto negociava um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República.

Foi dito, na época, que a cela da Polícia Federal, onde estava desde que começaram as negociações de uma delação premiada, era dedicada a presos de passagem, o que não é o caso do ex-banqueiro, que cumpre prisão preventiva, ou seja, sem prazo determinado.

Ele já apresentou duas propostas de delação premiadas e ambas foram recusadas por não trazerem nada de novo. Seus advogados têm dito que o cliente prepara uma nova proposta. No entanto, o que se tem notado é que ele espera as eleições para, então, definir o escopo do que será dito.

Ou seja, haverá uma proposta de delação caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saia vitorioso das urnas e outra, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito. Delações personalizadas, conforme o gosto do freguês, pode-se dizer assim. Ou nenhuma delação, se este for o interesse do eleito.

Enquanto isso, ele fica à vontade na Papudinha. Pode até preparar recados para o mundo de fora. Quem sabe melhor do que ele o que consta nos seus celulares apreendidos pela Polícia Federal? Das fotos. Das pessoas com quem conversou. Das festas. Dos pedidos de dinheiro.

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