Fux como relator assombra governo

Ao assumir a relatoria que seria de Alexandre de Moraes, o ministro Luiz Fux, irritado com o governo, pode recolocar investigações contra Lulinha no noticiário

Por Tales Faria

Sessão de quarta se inicia com voto de Luiz Fux

É grande a preocupação entre aliados do governo com a escolha, por sorteio, do ministro Luiz Fux para substituir Alexandre de Moares como relator do mandado de segurança que busca obrigar o Senado a divulgar informações de entrada e saída de pessoas na Casa, incluindo a advogada Viviane Barci de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A preocupação não é motivada apenas pelo caso do Banco Master. O escritório Baci de Moraes, da esposa do ministro, teve um contrato e R$ 131 milhões assinado com a instituição. Desde que o contrato foi descoberto, ela e seu marido entraram na alça de mira do então relator do caso Master, o ministro André Mendonça.

Mas o governo está preocupado porque a solicitação de informações também envolve os registros de entrada e saída no senado do filho do presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, e de José Ferreira da Silva (Frei Chico), irmaõ do presidente, além de Antônio Carlos Camilo Antunes, que é conhecido como "Careca do INSS".

O processo foi aberto a pedido de Guilherme Kilter, vereador do partido Novo de Curitiba e candidato a deputado federal. Ele cobrou os registros de entrada e saída daquelas pessoas no Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), negou.

O governo considera que Fux se tornou aliado dos bolsonaristas e adversário de Alexandre de Moraes, desde que voltou atrás na condenação dos invasores dos prédios da Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023. O ministro foi sorteado para a relatoria porque Moraes, apontado no primeiro sorteio, se declarou impedido.

Na sessão do último dia 15 do STF, Fux derrotou Moraes na questão de ordem em que a Corte decidiu não juntar os procedimentos de Moraes e André Mendonça envolvendo as acusações de um contra o outro em torno da apuração do caso Master. Fux também bateu boca na sessão com os aliados de Moraes – os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino – quando ambos tentaram apontar seu suposto envolvimento com Daniel Vorcaro.

Na verdade, Mensagens do celular de Vorcaro apreendidas pela Polícia Federal revelam contatos do ex-banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, que é filho do ministro. O jornal Folha de S.Paulo divulgou nesta terça-feira, 22, outras Mensagens de Vorcaro. Mostram que ele usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem de Luiz Fux a Nova York e um almoço em homenagem ao ministro. Fux diz que nunca trocou mensagens com ex-banqueiro e que a Forbes Brasil fez o convite e custeou despesas da viagem.

Mas ele tem se mostrado muito irritado com os aadversários dentro do Tribunal e com o governo nos últimos tempos. É isso que preocupa o Palácio do Planalto. Se Fux quiser, ele pode, com a nova relatoria, voltar a colocar Lulinha e o caso do INSS no noticiário, como ocorreu na fase inicial da relatoria do ministro André Mendonça.

Às vésperas da eleição, será mais um desgaste para o presidente Lula, apesar de nada de efetivo ter sido descoberto contra seu filho.