Agora os aliados de Mendonça temem a reunião do STF

Se Fachin mantiver pauta original, STF discute quarta-feira acusações de Alexandre de Moraes sobre a conduta de André Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS

Por Tales Faria

André Mendonça e Alexandre de Moraes

Até a noite desta quarta-feira, 16, ainda estava marcada para a próxima quarta, 23, nova sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Não está clara qual será a pauta depois do show de horrores da sessão desta terça-feira, 15. Há um clima de ressaca.

A sessão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, um aliado de Alexandre de Moraes. Mas agora são os aliados do ministro André Mendonça que andam temerosos sobre a próxima reunião.

Inicialmente, o presidente do STF, Edson Fachin, havia acertado como tema central e exclusivo a petição 16.704, que prevê a análise da conduta do ministro André Mendonça na relatoria dos casos envolvendo o Banco Master e o INSS.

Mendonça foi acusado pelo ministro Alexandre de Moraes de estar por trás dos vazamentos de informações contra ele no processo do caso Dark Horse e, também, promover quebra seletiva de sigilos e usurpação de competência da Polícia Federal.

Aliados de Moraes defendiam que essa discussão fosse incluída na pauta da sessão que ocorreu na terça-feira. Mas Fachin resolveu que aquela reunião seria dedicada apenas à petição 16.662, que trata das mensagens vazadas e do suposto envolvimento de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, além da validade de um relatório da Polícia Federal.

A sessão de terça-feira, como se sabe, se transformou num enorme bate-boca com troca de xingamentos que fizeram a ministra Cármen Lúcia corar de vergonha. Ela pediu perdão à população pelo vexame dos colegas. E a reunião terminou com o pedido de vista, sem contagem final dos votos. Flávio Dino só terá que terminar a vista após três meses.

Já Fachin terá que decidir se espera o fim do prazo para voltar a discutir o assunto; se encontra alguma forma de dar prosseguimento à discussão de terça para antecipar seu voto de minerva, já que a contagem deverá terminar em 4 a 4; se inicia a nova sessão sem tratar do tema anterior; ou simplesmente se desmarca a sessão. E como ficam as investigações que Moraes vinha comandando?

O presidente da Corte saiu desgastado daquela reunião, críticado por não ter agido com firmeza para conter os brigões. A expectativa é que os grupos de Moraes e Mendonça voltem a se digladiar. Com constrangedoras informações já apontadas na sessão passada. É o caso de Nunes Marques, que se declarou impedido de participar da sessão de terça. Alegou que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não considerava adequado discutir os assuntos da pauta.

Mas se agora achar que dá para participar, poderá ter que responder ao fato de seu nome e o de Kevin Marques, seu filho, terem aparecido em diálogos extraídos do celular de Vorcaro. Em uma das mensagens, Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Banco Master, envia a Vorcaro dados de Kevin e a menção ao valor de R$ 500 mil por mês.

Na reunião de terça-feira, Gilmar Mendes disse que Luiz Fux também aparece nas mensagens. Os dois chegaram a discutir e é provável que o assunto volte à tona.

Ou seja, se a reunião passada foi ruim para os aliados de Moraes, a próxima pode ser ruim para a turma de Mendonça. Fachin e Cármen Lúcia tendem a continuar espremidos entre os dois mundos.

Quanto à opinião pública, essa pode acabar submetida a um novo espetáculo de horrores.