Pânico nas equipes de Lula e Flávio

O medo real de derrota, provocado pelas pesquisas eleitorais e investigações realizadas por ministros do STF, trouxe pânico às equipes de Lula e Flávio Bolsonaro

Por Tales Faria

Alta tensão e medo real de derrota. Era esse o clima entre as equipes dos dois candidatos mais fortes a presidente da República nesta quinta-feira, 10, a 25 dias da eleição presidencial.

Na equipe de Flávio Bolsonaro, o pânico veio pela expectativa de aparecimento de novos fatos contra o candidato depois que a Polícia Federal, tendo à frente o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retomou as investigações sobre origem e destino dos recursos do filme Dark Horse.

Dino foi ministro da Justiça do atual governo e passou a se destacar na disputa interna do STF que vem sendo travada entre ministros aliados de André Mendonça, de um lado, e Alexandre de Moraes, de outro.

Na equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pânico veio por conta das pesquisas eleitorais com crescimento significativo do adversário e o viés de baixa do petista. A pesquisa mais recente foi divulgada ontem pela AtlasIntel/Bloomberg. Apontou empate entre Lula e Flávio no 2º turno, mas com ligeiríssima vantagem do candidato do PL, quando até então o petista sempre esteve na frente.

Lula pontuou 46,2% das intenções de voto na disputa direta contra Flávio Bolsonaro (antes eram 47,1%), enquanto o candidato do PL ficou com 46,4% (eram 42,6%). Brancos, nulos e "não sei" somaram 7,4% (eram 10,3%).

Na contagem de 1º Turno, o petista ainda está na frente, mantendo 43% das intenções de voto contra 37,4% de Flávio Bolsonaro, que no entanto veio de 34% na pesquisa anterior. Augusto Cury (Avante), em terceiro, marcou 6,6%; Renan Santos (Missão), 6,5%; e todos os outros somados, 6,6%.

A tensão com o resultado levou o presidente do PT, Edinho Silva a realizar uma reunião emergencial ontem mesmo com integrantes da cúpula do partido, da Executiva Nacional e da campanha. Foi marcada por críticas à estratégia eleitoral e um pedido de freio de arrumação para radicalizar o discurso contra Flávio e o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). O próprio Edinho Silva foi criticado, assim como o coordenador da campanha, Sidônio Palmeira, por não darem ouvidos aos demais integrantes do partido e aliados.

Na equipe de Flávio Bolsonaro, o grande susto de ontem foi a operação realizada pela PF, com 49 mandados de busca e apreensão sobre suspeitas de desvio de recursos parlamentares para o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em uma gravação obtida pela PF, Flávio foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

O deputado Mario Frias (PL-SP), que é autor de emendas parlamentares sob investigação de Flávio Dino, e roteirista do filme, foi um dos alvos da operação, assim como Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF divulgou imagem que mostra a apreensão de sete armas registradas no nome de Frias.

Segundo a PF, a operação intitulada Make Up tem o objetivo de "apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, a organização da sociedade civil". Dino proibiu Frias de deixar o país.

O ator e deputado se disse vítima do período pré-eleitoral e Karina Gama registrou em cartório estar sendo pressionada a fazer delação premiada. "Eu não tenho o que delatar", afirmou, deixando claro o clima de tensão que se instalou.