Petistas já põem na berlinda a Comunicação da campanha de Lula
Avanço de Flávio Bolsonaro com ajuda de André Mendonça levanta discussão de bastidores no PT sobre necessidade de endurecer os ataques aos bolsonaristas
Já se discute dentro da campanha de Lula à reeleição, com seriedade, a possibilidade de derrota nas urnas em outubro. Antes, essa hipótese não era levada em conta, mas agora já está dividindo os petistas.
No comando do partido, ganham corpo os defensores de uma campanha mais dura contra o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e seus aliados. Especialmente uma campanha mais dura contra, neste momento, o ministro André Mendonça, do STF, considerado o mais perigoso oposicionista em atividade.
O chefe da equipe de Comunicação da campanha petista, Sidônio Palmeira, tornou-se alvo de críticas de bastidores por não ter utilizado armas mais contundentes. Até agora, a estratégia de Sidônio tem sido a de desenhar Lula como um moderado, com o objetivo de atrair o apoio dos eleitores indecisos.
Além disso, a comunicação da campanha não conseguiu convencer o eleitorado, segundo as pesquisas, de que a situação econômica do país no governo Lula é significativamente melhor do que no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Bastava insistir na comparação dos índices de emprego, crescimento econômico e distribuição de renda entre os dois governos dizem integrantes da cúpula petista. Sem contar os estragos que lembrar as 700 mil mortes pela Covid podem fazer na lembrança do governo Bolsonaro.
Uma líderança petista reclama com a coluna de que o eleitor praticamente esqueceu do período em que havia pessoas correndo atrás dos caminhões de lixo para catar ossos e restos de alimentos.
Sidônio, segundo ele, ficou preso ao discurso da soberania do país. Tudo bem, isso funcionou durante o período de ataque frontal do presidente dos EUA ao Brasil, nos primeiros momentos de responsabilização da família Bolsonaro pelo tarifaço.
Mas os festejos de 7 de Setembro centrados neste tema não conseguiram comover a população. Pelo contrário, os bolsonaristas conseguiram mobilizar mais seus adeptos do que os defensores do governo para as manifestações pelo país.
E o desempenho do ministro André Mendonça é visto como a grande derrota do momento na campanha. Mendonça conseguiu colocar contra a parede seus adversários no Supremo Tribunal Federal, carimbando-os como aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele devolveu aos bolsonaristas a bandeira do impeachment de ministros do STF, que havia se esvaziado nos últimos meses. Tornou real o risco de crise institucional e de eleição de senadores favoráveis ao afastamento de integrantes da Corte supostamente aliados ao Palácio do Planalto.
Também divide os governistas a ideia de convocar o Conselho da República para solucionar a crise no STF. Flávio Bolsonaro comparou a convocação com as acusações de que seu pai tentou dar um golpe de Estado ao propor um Conselho com poderes sobre o STF.