Lula vê Mendonça como arma mais forte da oposição
A briga do ministro com Alexandre de Moares e as suspeitas vazadas contra Lulinha empanaram a aprovação de projetos no Congresso e novo envio ao Dark Horse
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe de campanha pela reeleição classificam o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como a arma mais efetiva e perigosa usada pela oposição na disputa eleitoral deste ano.
A briga entre Mendonça e o também ministro do STF Alexandre de Moraes tomou o noticiário durante toda a semana e empanou resultados positivos do governo nas votações do esforço concentrado do Congresso.
O balanço das votações dos cinco projetos prioritários para governo foi avaliado como positivo pela campanha e poderia ter melhor repercussão. Três projetos saíram definitivamente aprovados e dois tiveram a tramitação significativamente avançada:
- foi aprovada a Medida Provisória que altera imposto de importação de produtos até US$ 50, pondo fim à "Taxa das Blusinhas";
- também foi aprovada a Política Nacional de Minerais Críticos e Terras Raras, criando o marco legal para o desenvolvimento tecnológico e industrial do uso minerais estratégicos;
- e foi aprovado o projeto de lei que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil, o Redata;
- já a PEC da Segurança Pública, anteriormente aprovada na Câmara, teve seu texto-base aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas três destaques ficaram para votação após as eleições;
- quanto ao fim da Escala 6x1 de trabalho, a CCJ do Senado também aprovou o texto votado na Câmara, mas os governistas ficaram inseguros dos votos em plenário. Pediram ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), uma sessão extraordinária, possivelmente após o primeiro turno da eleição.
No contexto de polarização eleitoral, as suspeitas vazadas contra o ministro Alexandre de Moraes acabaram atingindo Lula. Moraes é apontado pelos bolsonaristas como um adversário do grupo e aliado do presidente.
As suspeitas também jogaram para segundo plano a descoberta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de que Daniel Vorcaro enviou uma parcela omitida por Flávio Bolsonaro, de US$ 1,6 milhão, para o fundo que administra o filme Dark Horse.
Antes disso, na semana anterior, o noticiário já havia sido tomado por notícias vazadas da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o suposto envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula, nas fraudes em descontos associativos da Previdência Social. E também sobre a venda, não realizada, de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.
A Procuradoria Geral da República acabou pedindo a Mendonça que remeta os dois inquéritos sobre esses assuntos à primeira instância, já que não há elementos nos autos que indiquem o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro.
As suspeitas contra Lulinha tiveram a mesma dimensão no noticiário que o caso Dark Horse, em que o próprio candidato ligou para Daniel Vorcaro pedindo cerca de R$ 131 milhões.
A pergunta agora considerada fundamental na campanha de Lula é: como neutralizar a "Caixa de Pandora" de André Mendonça?