Rodrigo Pacheco entra no TCU de olho no Supremo

Se o presidente Lula for reeleito, terá direito de indicar até quatro novos ministros para o STF e Pacheco não tem pressa, pois pretende ficar no TCU por pelo menos três anos

Por Tales Faria

Rodrigo Pacheco

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) teve sua indicação para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovada pela Câmara nesta quarta-feira, 2. No dia anterior, a indicação foi aprovada pelos senadores. Ele tomará posse do novo cargo após as eleições, mas não pretende se afastar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador ainda sonha assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Terá mais chances se o presidente Lula for reeleito e uma chance maior ainda se também for reeleito para o comando do Senado o seu parceiro e atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O mandatário do Senado foi seu principal cabo eleitoral.

Davi Alcolumbre chegou a comprar uma briga com o presidente da República porque Lula não indicou Pacheco para ministro do STF neste ano. Em seu lugar, o escolhido foi Jorge Messias, cuja indicação o Senado acabou derrubando sob a batuta de Alcolumbre.

Foram três meses de rompimento entre os chefes do Executivo e do Judiciário que só chegaram ao fim porque Lula precisou do presidente do Senado para acelerar a tramitação de cinco pautas prioritárias para o governo durante o esforço concentrado do Congresso nesta semana.

Até esta terça-feira, 2, o Senado já havia aprovado em plenário o projeto que cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no Brasil (Redata), enviado para sanção presidencial, e a Medida Provisória que zerou a chamada Taxa das Blusinhas, além do projeto de criação da Política Nacional de Minerais Críticos. Três das cinco prioridades. Na Comissão de Constituição e Justiça, foram aprovadas a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala de trabalho 6x1, enviada para votação em plenário, e o texto base da PEC da Segurança Pública.

As votações, que se estenderão até esta quinta-feira, 3, selam as pazes definitivamente entre Alcolumbre e Lula, se não houver nenhum percalço. Caso o presidente da República seja reeleito, a expectativa é de que terá um convívio tranquilo com o presidente do Senado. Lula terá direito de indicar quatro ministros para o STF em seu eventual próximo governo, o que significa que Pacheco terá boas chances de ser um dos indicados. E o presidente da República ainda poderá novamente submeter o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

Rodrigo Pacheco tem dito a interlocutores que não tem pressa. Após tomar posse no TCU, ele pretende ficar até três anos no cargo, podendo ser um dos últimos indicados no futuro governo.

É o chamado jogo do ganha-ganha. Sai beneficiado o presidente da República, por ter um aliado ainda com alguma participação nas eleições deste ano em Minas Gerais e, depois no TCU, um ministro simpático ao Palácio do Planalto. Ganha o presidente do Senado, por ter um amigo fiel agora no TCU e, provavelmente, depois no STF. E ganha o próprio Pacheco, que se torna peça-chave da relação entre Executivo e Legislativo.