Governo vê pausa nos vazamentos, mas espera outros
PT e assessores do presidente veem motivação eleitoral nos vazamentos da PF, responsabilizam André Mendonça e acreditam que continuarão ocorrendo até as eleições
Houve uma pequena pausa nos vazamentos seletivos da Polícia Federal sobre os inquéritos envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas essa pausa é passageira, segundo integrantes do governo e do PT para os quais os vazamentos têm motivação eleitoral.
Os assessores do presidente esperam novos vazamentos, especialmente nas proximidades da eleição, no início de outubro. Já que teriam motivação eleitoral, também poderão ocorrer quando Lula ou o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, forem participar da sabatina das Organizações Globo. Seria um momento propício para dar maior repercussão às acusações.
Outro momento esperado pelos aliados do presidente para novos vazamentos, na ótica da motivação eleitoral, é se Lula voltar a crescer nas pesquisas, ou Flávio cair.
Reservadamente, a equipe do candidato petista à reeleição responsabiliza o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não que ele tenha participado diretamente dos vazamentos, mas pelo clima de beligerância que teria incentivado entre alas da Polícia Federal: de um lado, os bolsonaristas, de outro, os governistas.
Lulinha entrou na mira da PF quando foi revelada a sua proximidade com a lobista Roberta Luchsinger, alvo em dezembro do ano passado da Operação Sem Desconto que apura fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). No celular da lobista a PF encontrou mensagens sobre negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais nos benefícios de aposentados.
Interrogada em maio, Roberta Luchsinger admitiu ter apresentado o filho do presidente ao "Careca do INSS", interessado em trazer para o Brasil produtos medicinais europeus à base de cannabis. A PF pediua abertura de investigação sobre o envolvimento de Lulinha e Mendonça, que comandava o Inquérito sobre desvios no INSS, concordou. Ele determinou também a abertura de outro inquérito, sob seu comando, para apurar a tentativa de venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.
A partir de então, segundo os aliados do presidente Lula, os bolsonaristas da PF se sentiram à vontade para vazar a conta gotas, sem punição, informações sobre Lulinha.
Essa avaliação também se espraiou pelo STF, inclusive entre os ministros que não veem com bons olhos o ritmo acelerado que Mendonça impôs às investigações contra Lulinha em contrapartida à lentidão no inquérito sobre o caso Dark Horse. Mendonça é visto como integrante do grupo bolsonarista no STF junto com Nunes Marques e Luiz Fux.
Se opõem a eles Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino. Este último determinou à polícia de São Paulo que compartilhe com a PF os documentos obtidos pela Operação Wi-Fi, que teve como alvo a produtora do filme sobre Bolsonaro.
Com isso, as investigações sobre Lulinha e o caso Dark Horse, além da briga entre bolsonaristas e lulistas na PF, também alimentam o racha no STF. Prometem capítulos eletrizantes até o final das eleições.