PL de Flávio sofre resistências no eixo RJ-SP-MG
Flávio Bolsonaro não conseguiu alianças lideradas pelo PL nos três maiores estados do país. Contava ter conselhos de Jair Bolsonaro no Dia dos Pais. Alexandre de Moraes barrou
O eventual governo de Flávio Bosslonaro (PL) poderá ter apuros, se depender da capacidade de articulação política que o candidato Flávio Bolsonaro tem demonstrado durante a campanha eleitoral.
O senador não conseguiu, até agora, fechar alianças em torno de seu partido em nenhum dos três maiores colégios eleitorais do país.
Minas Gerais, por exemplo, é considerado um estado decisivo. Desde a redemocratização, nenhum candidato a presidente da República conseguiu se eleger tendo sido derrotado no estado. Flávio queria montar seu palanque tendo como candidato a governador o senador Cleitinho, do Republicanos, primeiro colocado nas pesquisas. Até esta segunda-feira, 10, não havia conseguido.
Diante das vacilações do senador mineiro de se lançar para ao Palácio da Liberdade, Flávio resolveu anunciar, na quarta-feira, 5, o empresário Flávio Roscoe como o candidato do seu partido. Dois dias depois, Cleitinho acertou sua candidatura a governador pelo Republicanos. O PL decidiu, então, que não abre mão de Roscoe, e Flávio corre o risco de ficar sem o palanque de Cleitinho.
Já a chapa no Rio de Janeiro foi a primeira apresentada formalmente por Flávio Bolsonaro em seu gabinete, em fevereiro. Mas três dos quatro aliados deixaram o palanque. O primeiro foi Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, que desistiu de compor a vaga de candidato a vice-governador.
O ex-governador Cláudio Castro (PL), também desistiu de concorrer ao Senado, em maio, após ser alvo de duas operações da Polícia Federal sob suspeita de vínculos ilegais com o empresário Ricardo Magro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O PL decidiu, então, fechar com a candidatura à reeleição do atual senador do partido, Carlos Portilho. Mas o ex-deputado Márcio Canella (União Brasil) que formaria a segunda vaga da chapa ao Senado, também saiu da corrida, após ser alvo de outra operação da PF. Flávio determinou que sua mãe, Rogéria Bolsonaro, não fosse mais indicada como primeira suplente. União Brasil e PP saíram da chapa, que ficou com Carlos Jordy como candidato ao Senado em uma formação puro-sangue do PL, com o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, como candidato a governador.
Dos três estados, São Paulo, é onde situação está mais tranquila, mas não é em torno do PL de Flávio Bolsonaro e, sim, em torno do partido Republicanos, do governador Tarcísio de Freitas. Os partidos que gravitam em torno da candidatura de Tarcísio não estão em sua maioria fechados, no campo nacional, com a candidatura de Flávio à Presidência. A costura do governador foi local: ele subirá no palanque com Flávio, mas os seus aliados não estão obrigados.
Flávio contava com o Dia dos Pais para tentar aparar as arestas. Planejava aproveitar para fazer uma reunião familiar com os irmãos para obter instruções do patriarca e ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas eis que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, não permitiu a realização do encontro político-familiar.