PL em MG e SP está desarrumado

Os dois maiores colégios eleitorais do Brasil concentram 50,5 milhões de votos, quase um terço de todo o país

Por Tales Faria

Eleitores por região do país

Caciques do PL ligaram o alarme dentro do partido para os dois maiores colégios eleitorais do país. A avaliação é que a sigla está mais desarrumada do que o PT em São Paulo e Minas Gerais.

São Paulo tem 34,1 milhões de eleitores segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira, 20. Minas tem 16,4 milhões. Os dois juntos guardam quase um terço dos 158,7 milhões de votos de todo o país.

O PT já lançou Patrus Ananias para governador, atendendo pedido de Lula de montar um palanque para a campanha presidencial no estado. O ex-prefeito petista de Belo Horizonte foi ungido depois que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), recusou. Ela quer manter-se candidata ao Senado e tem boas chances de se eleger.

Patrus já começou a trabalhar uma possível aliança com o PSB no estado. Os dois partidos deram a largada nas negociações em reunião na terça-feira, 21. Na escolha do vice, o PSB afunilou. Tinha três nomes como pré-candidatos a governador: o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares; o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e o ex-senador Clésio Andrade.

Clésio desistiu do governo e não aceita ser vice. O preferido de Lula é Josué Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar. E Jarbas já está com a pré-candidatura na rua.

O PL, no entanto, continua desarrumado. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é o preferido de Flávio Bolsonaro para o governo do estado, como primeiro colocado nas pesquisas. Mas ele tem dito que só decidirá na última hora. Seu irmão mais novo morreu no sábado, de leucemia.

O partido procura um plano B. Fala-se em Vittorio Medioli (PL), ex-prefeito de Betim. Mas o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já avisou que a prioridade não é o governo, mas a candidatura ao Senado, do deputado Domingos Sávio. O ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe, que estava cotado para concorrer a governador pelo PL, afirmou que não aceitaria ser vice de Cleitinho.

Ou seja, o partido está enrolado e tem convenção marcada para o dia 27. Mas pode adiar em função dessa indefinição. O Republicanos está com a convenção marcada para o dia 25, caso Cleitinho se resolva.

São Paulo é onde o PL não tem problema de chapas em aberto. Já até realizou a convenção que escolheu André do Prado como candidato ao Senado. Neste sábado terá a convenção nacional no estado para formalizar a candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente. Ele escolheu montar seu QG de campanha no estado porque quer a agenda alinhada com a do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O problema é que Tarcísio também está aliado ao centrão em São Paulo. E os partidos do centrão querem distância da má fase de Flávio desde que ele entrou em guerra contra Michelle Bolsonaro e foram reveladas suas ligações com o Banco Master.

Os presidentes nacionais do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), não foram à convenção estadual da federação União Progressista, na segunda-feira, para evitar encontrar com Flávio. Os dois partidos negaram apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.