Alcolumbre revida à campanha do PT com suas bombas
O PT iniciou "uma grande campanha" nas redes para pressionar Alcolumbre a derrubar a jornada 6x1; Ele revidou explodindo pautas bombas contra o governo
O Partido dos Trabalhadores iniciou nesta segunda-feira, 13, o que seu presidente, Edinho Silva, classificou como "uma grande campanha de mobilização nas redes sociais para [...] pressionar o Senado a votar a PEC do fim da jornada 6 X 1".
Segundo divulgou em seu site a Fundação Perseu Abramo, que pertence ao partido, "a campanha concentra a cobrança sobre [o presidente do Senado,] Davi Alcolumbre [União-AP], responsável por encaminhar a tramitação da proposta[...]. Desde que chegou à Casa, em 28 de maio, a PEC não recebeu relator nem foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça. A ausência de um calendário contrasta com a aprovação por ampla maioria na Câmara, onde o texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno".
Alcolumbre, que já está praticamente rompido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu a notícia como uma confirmação da ameaça que lhe fora feita pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczay (SC). O deputado afirmou que se o senador protelar a derrubada da 6x1 a militância do partido passará a classifica-lo como "inimigo dos trabalhadores".
O presidente do Senado, então, reagiu explodindo nesta terça-feira, 14, uma pauta-bomba. Vale explicar: pautas-bombas no Congresso são benesses de inevitável aprovação quando vão a plenário, e que explodem as contas dos governos.
Desta vez, a pauta-bomba votada foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. Foi aprovada rapidamente pelos senadores com 73 votos a um, tanto no primeiro como no segundo turno.
A votação foi articulada pessoalmente pelo presidente do Senado. Fixa idades mínimas de 57 anos para aposentadoria de mulheres e 60, de homens. O governo estima impacto de R$ 27 bilhões em dez anos, sendo R$ 17,6 bilhões do Regime Próprio e de R$ 10,3 bilhões do Regime Geral de Previdência Social.
Para calar a base de apoio ao governo no Congresso, Alcolumbre permitiu a votação da Medida Provisória do Frete que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário. A votação interessava ao governo para acabar com a paralisação de caminhoneiros autônomos em Santos (SP). Os caminhoneiros pressionavam pela análise do texto que também estava tendo a votação protelada por Alcolumbre.
Mas os governistas tiveram que ceder à oposição mantendo um artigo aprovado na Câmara com anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022 ligadas à tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que Lula vetará esse trecho. Mas o veto será submetido ao Congresso, que ainda pode derrubá-lo.
Pelo jeito, Alcolumbre vai dar trabalho.