Semana decisiva para a relação de Lula com Alcolumbre
O presidente do Senado definirá o ritmo de tramitação da derrubada da 6x1; dependendo de sua atitude, o PT poderá iniciar uma campanha contra "o inimigo do povo"
Já há no governo quem diga que não há mais chances de uma reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o mandatário do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Mas essa não é uma visão absolutamente correta.
Lula já se distanciou, trocou desaforos e se reaproximou de figuras com quem se antagonizava muito mais do que com Alcolumbre. Só para citar dois de seus adversários históricos a quem fez oposição radical e depois fez manifestações públicas de apreço, vale lembrar do ex-presidente José Sarney (MDB) e do ex-governador Paulo Maluf, de São Paulo.
Com Lula não dá para dizer que algo é definitivo. Mas o que ele tem dito a seus interlocutores mais próximos sobre Alcolumbre é praticamente impublicável. A parte publicável é que ele perdeu totalmente a confiança no presidente do Senado, que não acredita na reaproximação e, se vencer as eleições, Alcolumbre que não conte com ele.
Lula odeia se sentir esnobado. E a forma como Alcolumbre tenta arrancar benesses do governo vem junto com um tratamento desrespeitoso, esnobe, que Lula não engole.
Mas a turma do "deixa disso" do Palácio, liderada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimaraes, tem argumentado que o governo ainda precisa muito de Alcolumbre para a provação de projetos no Congresso e não pode maltratá-lo.
De fato, precisa. O principal deles é a derrubada da escala de trabalho de seis dias por semana e um de folga, a chamada jornada 6x1. A Câmara já votou a derrubada, com a aprovacão da jornada 5x2 enviada para o Senado. Para Lula, essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) é decisiva. Se Alcolumbre retardá-la, a ordem no governo é tratá-lo como um "inimigo do povo".
Esta semana é decisiva porque o presidente do Senado definirá o ritmo de tramitação, por quantas comissões a PEC passará.
Lula também considera importante que o Senado avance, antes das eleições, na tramitação da PEC da Segurança Pública, do marco legal das terras raras e do projeto que permite ao governo utilizar o aumento das receitas ordinárias do petróleo para diminuir as alíquotas de impostos sobre combustíveis.
O presidente da República já não acredita que Alcolumbre trabalhará junto com o governo nessas propostas. Mas resolveu dar a Guimarães a possibilidade de tentar um último entendimento com o mandatários do Senado neste semestre.
Depois do recesso, Lula pretende entrar de cabeça na campanha eleitoral. Se for reeleito e Alcolumbre não tiver se entendido com o governo, o Palácio do Planalto investirá tudo contra a sua reeleição para o comando do Senado. Será uma tremenda guerra.