PL rejeita chapa Flávio-Michelle, mas já se prepara para Plano B
Líderes do PL e até bolsonaristas que não são do partido acham que chapa puro-sangue isolaria Flávio Bolsonaro; se ele naufragar, Michelle pode ser vice de outro
Nem o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro (RJ) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, acredita na possibilidade de uma chapa puro-sangue tendo o senador como candidato e sua madrasta como vice. Apesar da avaliação de que teria potencial de votos.
Além de pacificar o clã, Michelle como vice poderia trazer mais votos femininos para a candidatura de Flávio Bolsonaro, assim como votos de evangélicos.
A incompatibilidade de gênios entre Michelle e os filhos do ex-presidente não seria empecilho. O próprio Jair Bolsonaro chamou o general Hamilton Mourão (hoje senador pelo Republicanos) para vice da chapa que o elegeu em 2018. Os dois nunca morreram de amores um pelo outro e, durante o governo, o vice e o presidente se afastaram mais ainda sem, no entanto, romper.
A chapa Flávio-Michelle, ou Bolso-Bolso, começou a ser tratada entre governistas como uma saída que o clã Bolsonaro estaria trabalhando para a briga pública entre o filho e a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Há entre petistas até que acredite numa briga ensaiada para acabar forçando essa solução estratégica.
Mas entre lideranças do PL se afirma explicitamente que a hipótese da chapa Flávio-Michelle não é levada em conta. Procurados pela coluna, os líderes do partido no Senado e na Câmara, disseram que a sigla não trabalha com essa hipótese.
"Não podemos ter chapa pura do PL", disse o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Para ele, a candidatura de Flávio a presidente da República precisará de uma aliança com outras legendas.
O líder no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirma que o PL nem sequer discute algo parecido. "Nunca escutei isso", disse à coluna. Considerada a maior defensora de uma candidatura presidencial de Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) concorda com Sóstenes. "Chapa pura não funciona", disse à coluna.
No entanto, nos bastidores do PL, há uma hipótese mais aceita: o lançamento da candidatura de Michelle Bolsonaro a vice-presidente da República. Seria no caso de Flávio Bolsonaro naufragar nas pesquisas.
Aí a ex-primeira-dama poderia entrar como vice em uma chapa encabeçada por algum aliado de direita que esteja mais bem colocado. Os nomes mais falados nesse caso seriam os dos ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO), e de Minas Gerais, Romeu Zema.
Essa hipótese é tratada como um Plano B que contaria até com as bençãos do ex-presidente. Está sendo esperado com ansiedade, dentro do partido, um encontro do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com Bolsonaro