Pau que bate no PT, bate na oposição e no centrão

Operação Complance zero pega caciques do governo, da oposição e do centrão. A ordem agora é jogar no ventilador e, depois, as raposas se entedem e esfriam o noticiário

Por Tales Faria

Ciro Nogueira (PP), Davi Alcolumbre (União Brasil) e Jaques Wagner (PT).jpg

A ordem ainda não é silenciar sobre o envolvimento do adversário com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. A estratégia no PT e dos políticos adversários nos partidos de centro (porque há os que não são adversários) é, num primeiro momento, colocar no megafone os podres do inimigo. A ideia é fazer a mídia divulgar ao máximo as acusações contra o adversário que estão aparecendo nas investigações da Polícia Federal comandadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A bola da vez agora é o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), e o comando do PT no estado. As revelações da nona fase da Operação Compliance Zero contra o senador já obrigaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a afastá-lo do cargo nesta quarta-feira, 24. Wagner saiu da reunião com o presidente dizendo que a decisão foi de comum acordo em uma "ótima reunião". Mas ele já havia deixado claro que não pretendia sair, só o faria se Lula quisesse.

A expectativa no meio político é de que vem mais coisa. Fala-se no ex-ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa. Como Wagner ele também foi governador da Bahia e é pré-candidato ao Senado na chapa do PT encabeçada pelo atual governador, Jerônimo Rodrigues.

Mas por que a oposição está festejando com cuidado? Porque o pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro (RJ), também já foi flagrado. Pedia R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para o filme "Dark horse" sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Também o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), segundo a PF, teria recebido de Vorcaro uma mesada totalizando pelo menos R$ 6 milhões, entre outras vantagens. Ciro é um dos principais caciques do centrão. E a expectativa é de que as investigações tragam mais suspeitas contra outros caciques desse grupo de partidos. Inclusive entre os adversários do PT na Bahia, comandos pelo cacique local do União Brasil, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

Pois é. Tem aquele ditado: "Pau que bate em Chico bate em Francisco". Nesse caso das investigações Master, o pau que está batendo no PT também atinge seus adversários. Bate nos caciques dos dois grupos. Todos, políticos com décadas de experiência.

Por terem tanta experiência, eles dividem as revelações das Operações Compliance zero em fases. A primeira é esta de agora em que vão surgindo as revelações contra vários atores de vários lados. É o momento de jogar no ventilador as denúncias contra o adversário.

Numa próxima fase, quando tudo estiver revelado, todos estarão igualados. Igualmente sujos. Chegará então a hora de se tentar minimizar a repercussão do assunto.

Velhas raposas da política sabem emitir sinais, umas para as outras, de como agir para o assunto esfriar no noticiário e no Judiciário, onde também existem outras velhas raposas. E o pau que bateu em todo mundo poderá não bater em mais ninguém.