Lula manterá Wagner no cargo

O presidente deixou claro ao líder do governo no Senado que não pretende afastá-lo do cargo. Avalia que o estrago está feito e a saída soaria como confissão de culpa

Por Tales Faria

Lula e os líderes Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), que não pretende afastá-lo do cargo neste momento. O senador foi alvo da nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira, 18, que investiga o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

Ao autorizar a operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, afirnou que o senador "é apontado pela PF como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais".

Wagner disse ao presidente que está "tranquilo quanto a provar a inocência". Mas sugeriu que pode sair se Lula assim o quiser. A resposta do presidente foi de que não teve oportunidade de se defender no caso da Lava Jato e que não fará isso com ninguém.

"Brigue por sua inocência, prove que não tem nada a ver com isso", disse Lula. Os dois conversaram por telefone, pois o líder estava na Bahia. A conversa foi classificada pelo senador como uma "manifestação de solidariedade" do presidente.

Ele se sentiu seguro, inclusive, para declarar em entrevista à Band News:

"O presidente Lula ligou para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança, a gente se conhece há 48 anos. Portanto, ele sabe como é o meu modo de agir. Ele só ligou para dizer: 'Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'."

A avaliação no Palácio do Planalto é de que não haveria nenhum ganho com o afastamento de Wagner da liderança. O estrago político já está feito desde o momento em que a PF deflagrou a operação. Alguns auxiliares do presidente acham que, ao contrário, a saída de Jaques Wagner soaria como uma confissão de culpa.

Na equipe de campanha, a ordem é emplacar o discurso de que somente no governo do PT a PF teria liberdade para fazer busca e apreensão contra um líder do governo. Lembrar o quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afastou seu ministro da Justiça, o hoje senador Sérgio Moro, porque queria impedir investigações da PF sobre seus filhos.

Em uma reunião ministerial cujo vídeo vazou, Bolsonaro reclamou da falta de informações da PF e afirmou que iria interferir:

"Eu não vou esperar f* minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe. Troca o ministro [olhou na direção de Moro]. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira."

Agora pré-candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sérgio Moro participou de evento nesta quinta-feira ao lado do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em que defendeu a atuação do ex-presidente na área de segurança.

O PT, no entanto está dividido. O ex-líder na Câmara Rogério Correia (MG) postou nas redes sociais: "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas."