O Novo concorda com Zema, mas engole desaforos dos Bolsonaro
Apesar de concordar com as críticas de Zema à relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, o Partido Novo teme a ameaça de rompimento feita pelo clã, e parlamentares se calam
Parlamentares do Partido Novo concordam com o candidato da sigla ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, nas críticas ao envolvimento do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas não querem o rompimento. Temem perder votos bolsonaristas.
Em vídeo nas redes sociais, Zema declarou: "Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa."
Os irmãos do candidato do PL responderam duramente. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro postou ameaçando romper com o partido do ex-governador: "Que postura vagabunda, critica o Flávio apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim rompia geral com o Partido Novo."
Ao repostar declaração da deputada Júlia Zanatta, segundo a qual "Zema deveria calar a boca", Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois do ex-presidente, sugeriu que Zema estava sendo "um desonesto com seu mínimo intelecto e caráter". Ele escreve mais:
"Os liberais jamais teriam tido a oportunidade de participar de um governo como participaram e inclusive de existir. Hoje quem os alavancou está preso ilegalmente e sendo esquecido propositalmente, assim como todos os presos políticos do 8 de janeiro. Todos estes adotam uma postura previsível: em um dia afagam, no outro apunhalam pelas costas. Qualquer pessoa de bom senso percebe esse comportamento se repetir a cada eleição. E quando alguém reage a essas atitudes, logo surgem acusações de 'ataques'. A realidade é que todos veem isso acontecer diariamente. Não se trata de invenção, mas da simples interpretação e visualização de fatos e comportamentos que vêm sendo observados desde 2018. Todo o movimento visa única e exclusivamente fortalecer Lula para se colocarem como permitidos do sistema. O povo é o que menos importa. Sujeitos como estes odeiam o cheiro de quem não veste terno, gravata e o resto o senhores já sabem!"
Os ataques do clã deixam os parlamentares do Partido Novo tão assustados que evitam comentar publicamente a ameaça de rompimento.
Poucos, como o deputado Ricardo Salles (Novo-SP), vêm a público falar que concordam com Zema de que há no PL uma "promiscuidade absoluta com o centrão", cujo presidente, Valdemar Costa Neto, "tem o mesmo DNA de Vorcaro".
Mas Salles insiste que o inimigo principal é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido, o PT. "Ainda com todos seus problemas, o Flávio é melhor do que o Lula, porque vai colocar na área econômica nomes mais capazes" argumenta.
Reservadamente, no entanto, os integrantes do partido torcem pelo aparecimento de um candidato mais forte na direita do que Flávio Bolsonaro. Caso isso não ocorra, o Novo terá que seguir o já velho caminho do partido: engolir em seco os desaforos dos filhos do ex-presidente e dos bolsonaristas mais exaltados.
O problema é que a hostilidade tende a aumentar, caso o clã assuma o Palácio do Planalto.