Para Alcolumbre, empresários e governo ditarão quando cairá a 6x1
Presidente do Senado comunicou ao governo e entidades empresariais que cabe ao poder de argumentação deles a velocidade de aprovação da derrubada da jornada de trabalho 6x1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União AP), não pretende mesmo apressar a votação da derrubada da jornada de seis dias semanais de trabalho por um de descanso (6x1). Ele convenceu o Palácio do Planalto de que o ritmo de tramitação da propota depende da capacidade de articulação do próprio governo.
No dia 26 de maio, quando recebeu representantes de entidades empresariais em seu gabinete, liderados por Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústria de São Paulo (Fiesp), Alcolumbre garantiu que não apressará a tramitação no Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada na Câmara e que estabelece a jornada 5x2.
Admitiu aos empresários que o assunto "é complexo". Disse que irá tratá-lo "com a devida importância, a devida calma, a devida profundidade". Não deu detalhes da tramitação, mas deu a entender que estava estudando submeter esta e outras PECs sobre o mesmo tema a uma comissão especial.
Afirmou que, assim como o governo, também caberá à capacidade de articulação dos empresários o ritmo de tramitação da proposta no Senado. Além da PEC enviada pela Câmara, senadores de oposição apresentaram uma outra, que propõe a flexibilização da jornada por acordos entre empresários e trabalhadores.
O presidente do Senado já despachou a PEC da oposição para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas, depois do encontro com os empresários, em entrevista coletiva de imprensa, afirmou que o assunto merece ser analisado "por comissões".
Não há no Regimento Interno do Senado nada que determine a análise de emendas constitucionais por mais de uma comissão. O presidente da CCJ, Otto Alencar, (PSD-BA), defende que o texto passe apenas por sua comissão, como é o costume na Casa.
Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lembrou em entrevistas nessa terça-feira, 9, o seu périplo pelo Congresso acompanhado de representantes de entidades empresariais após a aprovação da PEC pela Câmara, quando voltou a conversar com senadores sobre a jornada 6x1.
Skaf afirmou ter se reunido pessoalmente diversas vezes com senadores, inclusive Alcolumbre, e avaliou que considera o ambiente na Casa como "mais responsável do que o que prevaleceu na Câmara".
"O que eu sinto no Senado é que ele está bastante sensível e consciente da necessidade de fazer uma discussão responsável, preocupado com o futuro do Brasil e das famílias brasileiras, e não com as urnas dos próximos meses", disse. Segundo ele, a Câmara acelerou a votação "por um interesse claramente político".
Os empresários pediram ao presidente do Senado que a votação ocorra após as eleições. Mas Alcolumbre não deu garantias. Disse que dependerá de eles convencerem os parlamentares.
Em encontro nesta terça-feira com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o presidente do Senado repetiu a argumentação. Disse que o ritmo de tramitação dependerá da capacidade de negociação do governo. Mas reafirmou que não pretende atrapalhar.
Não era bem isso o que o Palácio do Planalto esperava. Mas o jeito é colocar mãos à obra.