Aliados de Tarcísio temem sua proximidade com Flávio Bolsonaro

Preocupação é que estragos provocados pelo seu envolvimento com Daniel Vorcaro e com novo tarifaço de Trump atrapalhem nas campanhas estaudaduais

Por Tales Faria

Flávio Bolsonaro admitiu encontro com Vorcaro em novembro

O comando da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente da República está preocupado com os estragos nos estados provocados pelo desgaste do candidato a partir do seu do envolvimento com Daniel Vorcaro, revelado pelo pedido de dinheiro para o filme Dark Horse, e pelo novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil.

Em São Paulo, por exemplo, foi amplamente, notada a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB) no palanque ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante a "Marcha para Jesus", na quinta-feira, 4. Mas pouco ou nada se viu do vice-governador Felício Ramuth (MDB) ao lado de Tarcísio. Se lá esteve, não se expôs. O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), nem compareceu ao evento.

Estão rompidos com Tarcísio? Não. Muito pelo contrário, cada dia mais ligados. Mas é que, naquele evento, estava programada a presença de Flávio Bolsonaro. Os defensores da reeleição do governador o têm alertado, desde que estouraram as notícias de envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro, dos riscos de sua proximidade com o candidato do PL a presidente da República.

Os aliados têm feito questão de deixar claro que estão com o governador de São Paulo, mas não necessariamente comungam de uma aproximação excessiva com os Bolsonaro. Alguns tratam o candidato do clã ao Planalto até como radiativo.

Pré-candidato do PSD à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, subiu no trio elétrico do evento com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, depois que Flávio saiu.

E Caiado deixou claro o mote de sua campanha, que supostamente o diferencia do bolsonarista. Disse que o povo deve ser governado por alguém com "integridade moral, dignidade". Afirmou que os jovens devem ouvir que não vão viver "um governo de corrupção, mas um governo de esperança", com o Brasil "relevante no cenário internacional".

Até Tarcísio tem procurado se afastar do escândalo do filme Dark Horse. Declarou que se trata de "uma questão que precisa ser esclarecida" porque "o brasileiro não tolera mais corrupção. Está cansado". E voltou a ser alvo de críticas do clã nos bastidores.

Mas Flávio tem procurado manter as aparências e evitar reclamações contra o governador. Se rendeu às articulações de Tarcísio e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pela formalização da candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado André do Prado (PL), na segunda vaga ao Senado da chapa pela reeleição de Tarcísio.

O ex-presidente Jair Bolsonaro não gostou de não ter sido consultado, assim como seu filho Zero-Três, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (SP), que seria o dono da vaga e chegou a declarar sua preferência pelo vereador Gil Diniz como candidato. O clã, no entanto, teve que se render diante do enfraquecimento de Flávio.

Um enfraquecimento que está sendo moderadamente comemorado entre aliados por causa da forma centralizadora com que os Bolsonaro vinham comandando as formações de chapas nos estados.

Agora, dentro do partido, a ideia é administrar esse enfraquecimento para que não cresça demais e acabe prejudicando as campanhas estaduais, da mesma forma que o caso Master e o tarifaço.