Pau que bate em Castro não bate em Flávio
PL pressionou o ex-governador do Rio a desistir do Senado por conta das suspeitas que recaem sobre ele, mas poupa Flávio Bolsonaro que pode causar estrago maior no partido
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) informou ao comando do seu partido, nesta quinta-feira, 27, que não será candidato ao Senado como vinha pretendendo. Desistiu cedendo a pressões internas no próprio PL.
Para o seu lugar como candidato o mais cotado até então era nada mais, nada menos do que o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), que é também o principal porta-voz do pastor Silas Malafaia no Congresso.
No dia anterior, já corria solto no PL que Castro deveria desistir. E Sóstenes estava sendo inquirido por amigos se seria mesmo ele o novo candidato ao Senado. O deputado respondeu:"O Cláudio ainda não desistiu. Não vou queimar largada."
E não queimou. Como todo mundo no partido, o líder esperou pacientemente que o próprio ex-governador anunciasse a desistência da candidatura diante das acusações que pesam contra ele e das pressões internas.
Castro foi alvo de buscas da Polícia Federal, na terça-feira, 26, em que foram foram apreendidos dois celulares e um computador. Segundo a PF, a investigação apura se integrantes do governo do Rio de Janeiro beneficiaram a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em fraudes e na evasão de impostos. O dono da Refit, Ricardo Magro, é um dos maiores sonegadores do país.
Também a Operação Compliance Zero revelou encontros que teriam ocorrido entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. A Polícia Federal relaciona esses encontros aos aportes milionários no banco feitos pelo Rioprevidência.
Enfim, são suspeitas pesadas. Mas também pesam contra o candidato do partido a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), suspeitas de envolvimento com Daniel Vorcaro, a quem pediu R$ 134 milhões numa troca de mensagens flagrada pela PF. E com quem Flavio se encontrou pessoalmente quando o banqueiro já estava em prisão domiciliar usando tornozeleira eletrônica.
As pressões internas do PL contra Castro não significam que seus colegas de partido já o considerem culpado. O argumento é de que, carregando suspeitas desse tipo, ele não tinha mais condições de conquistar votos suficientes do eleitorado para se eleger senador.
No caso de Flávio Bolsonaro, os integrantes do PL resolveram esperar para ver como se comportam as pesquisas e se terá como superar o estrago. Já para Cláudio Castro não foi dado este tempo para avaliar se conseguiria esfriar o escândalo.
Com uma diferença: Castro era apenas candidato a senador, enquanto Flávio é o candidato a presidente da República, portanto com potencial de causar um estrago muito mais amplo, nacionalmente, sobre o partido como um todo.
Mas pesa a favor de Flávio o sobrenome Bolsonaro. Ele é herdeiro direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, na prática, está comandando o PL nestas eleições. Bolsonaro fez do filho o candidato a presidente contra o desejo de Valdemar Costa Neto, o comandante oficial da sigla, que preferia a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. É o ex-presidente Bolsonaro quem tem batido o martelo sobre as candidaturas do PL no país inteiro. Pelo jeito, é dele que deve ter partido a seguinte ordem:
No PL, o pau que bate em Castro não bate em Flávio.