Ações "preparatórias" contra Flávio ameaçam a chapa com cassação

Ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia entra com pedido de investigações na Justiça Eleitoral sobre ilícitos que, em outros casos, já resultaram em perda de mandato

Por Tales Faria

Dark Horse está previsto para estrear em 11 de setembro

Pré-candidato do PL a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) será alvo de ações que podem resultar até na cassação da sua chapa pela Justiça Eleitoral.

Motivos: o pedido a Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, de R$ 134 milhões para financiar o filme "Dark Horse", assim como seu encontro com o banqueiro quando este já estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

O ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Procuradoria Geral Eleitoral "procedimentos preparatórios" visando ações de "Investigação Judicial Eleitoral" contra o candidato.

As ações apontam ilícitos que, se confirmados pela Justiça Eleitoral, em outros casos já resultaram até em perda de mandato após a posse como chefe de Poder Executivo. Chinaglia elencou:

•Abuso de poder econômico (artigo 22 da Lei Complementar 64/1990);

•Abuso de poder político (artigo 22 da mesma Lei Complementar);

•Uso indevido dos meios de comunicação social (também no artigo 22);

•Arrecadação e gasto ilícito de recursos de campanha (art. 30-A da Lei nº 9.504/1997, chamada Lei das Eleições);

•Doação de fonte vedada (artigos. 23, 24, 24-C e 30-A da mesma lei).

O requerimento caracteriza o filme como propaganda eleitoral explícita, lembrando à Justiça que "o lançamento previsto é para 11 de setembro de 2026". Ou seja, em pleno período eleitoral, a menos de um mês do primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.

Além disso, o deputado afirma que o longa metragem atua como uma "megapeça de propaganda disfarçada" que exalta a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do candidato e reproduz "teses conspiratórias e fake news contra a democracia brasileira", ao afirmar, no roteiro, que fraudes nas urnas teriam sido "abundantes".

No entanto a ação judicial é centrada "na total inviabilidade econômica do projeto", que exporia uma engenharia financeira suspeita. O orçamento de R$ 134 milhões, negociado por Flávio Bolsonaro, foge da realidade do cinema nacional.

No documento, Chinaglia diz que, para cobrir custos e obter o lucro de 20% prometido aos investidores, "o filme precisaria alcançar uma bilheteria irreal de até R$ 804 milhões". Aponta como base de comparação, que a maior bilheteria da história do cinema brasileiro arrecadou R$ 181 milhões.

O deputado sugere que o levantamento de recursos pode ter outra finalidade: "A conta não fecha. O hiato entre o aporte realizado e o retorno comercial, tido como impossível, constitui forte indício de ilicitude".

A suspeita levantada por Chinaglia é de que o filme está sendo usado para triangular recursos públicos. Ele lembra que a produtora da obra, GoUp Entertainment, tem a mesma sócia-administradora de ONGs que receberam mais de R$ 111 milhões da Prefeitura de São Paulo e de emendas parlamentares — "verbas que já são alvos de investigação policial por suspeita de notas frias".