PL quer tirar dos Bolsonaro o controle da campanha
Surpreendidos com revelação de encontro entre Flávio e Vorcaro, aliados acham que pode vir mais coisas e querem decidir rumos da candidatura
Foi um desastre para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o encontro desta terça-feira19, em que pretendia convencer a bancada do partido a continuar firme em defesa de sua candidatura a presidente da República.
Não, deputados e senadores não pretendem tirar o candidato do páreo imediatamente por causa do vazamento do pedido dele de recursos ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Mas já circula com força no partido, especialmente entre aqueles que não integram o grupo de bolsonaristas raiz, a conclusão de que não dá mais para deixar na mão do clã Bolsonaro as decisões finais sobre a campanha eleitoral do PL. Tanto nos estados como para presidente da República.
Os plíticos do partido acham que o vazamento do pedido de recursos a Vorcaro em meio ao escândalo do Banco Master foi um golpe forte contra a campanha, mas preferem esperar para avaliar seus efeitos com o tempo.
O problema é que os bolsonaristas esperavam sair da reunião convencidos de que esta relação tão próxima entre o candidato do partido a presidente da República e Daniel Vorcaro seria o último grande segredo que a família Bolsonaro escondia de seus aliados.
Mas não. No meio da reunião se descobriu que Flávio teve um encontro com Vorcaro em São Paulo, quando o banqueiro já estava usando tornozeleira eletrônica.
Qual o propósito do encontro? Não convenceu aos presentes na reunião do PL a versão de Flávio de que teria sido para “colocar um ponto final” na história do financiamento do filme.
Integrantes do partido ouvidos pela coluna acham mais provável que tenha sido para se garantir de que o candidato não será envolvido em alguma delação premiada que o banqueiro venha a fechar com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ou, no mínimo, para combinar uma versão sobre a transferência de recursos de Vorcaro para a filme, a campanha ou seja lá o que for.
Deputados e senadores do partido serão quase todos candidatos a cargos eletivos em outubro. Aqueles que não forem dependem da vitória de seus candidatos para continuar desfrutando das benesses do poder.
Ou seja, a derrota do candidato a presidente repercute sobre o futuro político de todos os participantes da reunião. Sair do encontro – como saíram – convencidos de que ainda podem surgir novas informações bombásticas, deixou todos os presentes assustados.
A solução imaginada é não deixar mais inteiramente sob o controle da família os destinos da campanha.
Mais. Se Flávio tiver que sair, não dá para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) determine quem ficará em seu lugar. O substituto – ou a substituta – terá que resultar de uma análise do partido.
Pode até ser que recaia sobre um membro do clã, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Mas terá que ser por decisão coletiva, que inclua até mesmo aliados do centrão.
Bolsonaro tem ignorado completamente os aliados. Mas a federação partidária União Progressista (PP- União Brasil), do centrão, já deu sinais de que a aliança com o PL, se houver, terá que ser em novos termos.