PSB deixa Alcolumbre na berlinda para sabatina de Messias
O gesto simbólico de apoio a Jorge Messias promovido pelo do PSB com Rodrigo Pacheco chama atenção sobre a posição de Alcolumbre em relação à indicação de Lula
Em uma operação conjunta do presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), o partido deu o arremate final nesta terça-feira, 28, na campanha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O almoço dos três com a bancada de senadores em um restaurante de Brasília, incluindo o Rodrigo Pacheco (PSB-MG), serviu para colocar na berlinda o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na véspera da Sabatina de Jorge Messias que ocorrerá na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu indicar para o STF o advogado-geral, em vez de Rodrigo Pacheco, o presidente do Senado vinha fazendo mistério sobre se trabalharia contra a aprovação de Messias.
O senador por Minas Gerais tinha o apoio de Alcolumbre para a Corte. Mas o estado de Pacheco é decisivo para as eleições presidenciais. Nenhum presidente foi eleito no Brasil sem vencer em Minas Gerais. O presidente Lula, que é candidato à reeleição, sabe que precisava montar um palanque local para sua campanha.
Pacheco de início resistiu, mas agora que aceitou concorrer ao Palácio da Liberdade pelo PSB aderiu à candidatura do Jorge Messias para o STF. Logo após o almoço, o partido distribuiu uma foto do senador, sorridente, ao lado de Messias. Tinham Alckmin e João Campos a acompanhá-los na foto. Também foi divulgada uma nota em que a direção do PSB afirmou:
"Como advogado-geral da União, e procurador da Fazenda Nacional, Messias reúne todos os atributos para responder às demandas na mais alta corte do judiciário no país. É nesse sentido que reafirmamos a importância de um processo republicano, respeitoso e qualificado, à altura da relevância do cargo, e seguimos confiantes de que o Brasil sairá fortalecido desse debate."
A amigos Pacheco afirmou que, em respeito a Alcolumbre, não irá antecipar publicamente seu voto enquanto o presidente do Senado não anunciar sua posição. Mas, além do almoço desta terça-feira, Pacheco também participo de um jantar na semana passada com Messias junto com Alcolumbre.
O encontro ocorreu na casa do ministro Cristiano Zanin, do STF. Alcolumbre não declarou apoio a Messias, mas a cordialidade do encontro tem uma simbologia política nesse sentido.
Da mesma forma está agindo Rodrigo Pacheco: ele não declara publicamente seu voto em Messias, mas faz gestos com simbologia de apoio até que Alcolumbre se manifeste. O senador por Minas, que sucedeu Alcolumbre no comando da Casa com seu apoio – e depois retribuiu apoiando o colega do Amapá na sua sucessão – sente-se na obrigação de manter-se leal a aliança de anos entre os dois.
Mas de qualquer forma, sua atitude às vésperas da sabatina chama a atenção sobre Alcolumbre e qual será sua posição em relação a Messias. Se o indicado pelo presidente Lula for derrotado, haverá uma ruptura praticamente definitiva entre o Palácio do Planalto e o chefe do Senado.