Lula se prepara para enfrentar Donald Trump nas eleições

Por Tales Faria

Trump não está se saindo bem na guerra ao Irã. O tarifaço contra dezenas de países desorganizou a economia mundial. Mais ainda, a dos Estados Unidos. O presidente dos EUA sofre uma enorme queda de popularidade e ainda terá que ressarcir empresas norte-americanas, por ordem da Justiça, em US$ 166 bilhões por causa do tarifaço.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho Zero-Três do ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou a viajar para os EUA em campanha para que Donald Trump aplicasse o tarifaço contra o Brasil a fim de evitar a prisão de seu pai. Trump seguiu o roteiro. Sobretaxou em até 50% as exportações brasileiras em carta na qual citou Jair Bolsonaro. Só fez aumentar a popularidade do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e acabou recuando. Após encontro com Lula, disse até que "pintou um clima".

Jair Bolsonaro está preso. Eduardo perdeu o mandato e exílou-se nos EUA. Seu irmão, o pré-candidato a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), levará para a campanha eleitoral a marca antipatriótica de ter pedido um navio de guerra dos EUA na Baía da Guanabara.

Logo que Trump assumiu, o clã tentou adotar o boné do Maga (Make America Great Again) usado na sua campanha presidencial. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegou a colocá-lo na cabeça. Mas o marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira, distribuiu bonés azuis dizendo: 'O Brasil é dos brasileiros'. Os bolsonaristas jogaram fora seus bonés do Maga e Tarcísio nunca mais se deixou fotografar com um deles.

Agora, às vésperas da campanha eleitoral por aqui, Donald Trump acena com ameaças. Primeiro, sugere que o PCC e o Comando Vermelho não são simples organizações criminosas, mas entidades terroristas. Portanto sujeitas às leis dos EUA que permitem invasão de países para caçar terroristas.

Lula respondeu que já combate o crime organizado e que deu a Trump endereços de 'bandidos' que moram nos EUA para que sejam presos. "Tem alguns bandidos brasileiros que moram em Miami, mandei para eles o nome e o endereço. Querem combater o crime organizado? Vamos combater. Manda os meus para cá que nós vamos colocar no Xilindró", disse Lula.

Neste final de semana, foi expulso dos EUA o delegado da Polícia Federal brasileira Marcelo Ivo de Carvalho que atuou na prisão do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem. Alegou-se que ele tentou contornar legislação que garante permanência no país de estrangeiros com pedido de extradição até que sejam julgados esses pedidos.

Lula afirmou nesta terça-feira, 21, em Hannover, na Alemanha, que ainda não tinha detalhes sobre o caso, mas que o governo vai reagir:

"Fui informado hoje de manhã. Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil." Acrescentou que não aceitará "essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil."

Na verdade, a avaliação do presidente e do PT é de que o enfrentamento contra Trump pode ajudar na campanha pela reeleição de Lula, da mesma forma que ajudou nos embates anteriores.