Ciro Gomes joga um jogo ensaiado no PSDB com Aécio Neves

O pré-candidato a governador deu a endender no Ceará que não aceitará convite para concorrer à Presidência. Mas, antes, ele e o PSDB querem ver como seu nome entra nas pesquisas.

Por Tales Faria

Aécio Neves com Ciro Gomes

"Não posso desertar da luta que venho construindo junto com muita gente no Ceará." Foi o que declarou o ex-governador Ciro Gomes nesta quarta-feira, 15, durante um evento no Ceará.

Tratava-se da oficialização do ex-deputado federal Capitão Wagner e do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, respectivamente, como presidente e vice da Federação União Progressista no Estado.

Os dois políticos estão cotados para integrar a chapa de Ciro a governador do Ceará. Em seu discurso, o tucano lembrou que havia sido convidado no dia anterior pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, a disputar a Presidência da República pelo partido.

A plateia de cabos eleitorais delirou com a resposta que ele disse ter dado a Aécio. Seus apoiadores entenderam como uma recusa ao convite nacional e uma confirmação de que se mantém como candidato ao governo do estado.

Como quase tudo que envolva os políticos, pode ser, mas pode não ser.

Sim, o mais provável é que Ciro Gomes concorra mesmo a governador. O esquema no Ceará está propício. Ele desponta como primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto.

Além disso, a chapa está praticamente completa: Roberto Cláudio, que é da sua confiança, como vice, e capitão Wagner, para o Senado. A outra vaga de candidato a senador ficaria com Alcides Fernandes, pastor e deputado estadual pelo PL.

Seu adversário, o governador Elmano de Freitas (PT), não está tão bem assim nas pesquisas. Mas disputam para compor a chapa de Elmano nomes de peso. Muito nomes.

O atual senador Cid Gomes (PSB) diz que não será candidato à reeleição, mas que fará campanha pelo deputado federal Junior Mano (PSB) a uma das vagas ao Senado. Mas ainda há quem acredite que ele irá concorrer.

A outra vaga está sendo disputada pelo ex-senador Eunício Oliveira (MDB), pela deputada e ex-prefeita de Fortaleza Luiziane Lins (Rede) e pelo ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos).

Até o ex-líder do governo na Câmara José Guimarães (PT-CE) esteve na disputa pela segunda vaga ao Senado, mas abriu mão para assumir como ministro-chefe das Relações Institucionais. Elmano agradeceu publicamente.

Ou seja, está mais ou menos arrumado para Ciro dar a volta por cima na política do seu estado como um forte candidato a governador. Ele tende, portanto, a não disputar a Presidência da República. Mas o jogo não está jogado ainda. Por enquanto, Ciro e Aécio Neves apenas estão ensaiando os próximos passos.

O que os dois políticos combinaram foi jogar o nome na mídia e esperar pela repercussão. Especialmente, tentar promover que algum instituto de pesquisas de opinião resolva colocar o nome de Ciro Gomes na lista de possíveis candidatos ao Palácio do Planalto.

A expectativa é de que isto ocorra em poucos dias. Se não sair, o próprio PSDB pode encomendar um levantamento. Aí, sim, o partido terá um termômetro para decidir. Mas, a princípio, teria que ser um resultado inicial muito bom para valer o risco.

O ex-governador já disputou quatro eleições presidenciais e até agora não conseguiu se dar bem. E esteve, aparentemente, com chances bem maiores do que atualmente.

Mas ele guarda um rancor tão grande do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pode até preferir o risco só para atrapalhar.