PT insiste que Flávio Bolsonaro é o melhor adversário
A pesquisa Datafolha deste sábado, 11, apontou o senador numericamente à frente no 2º turno, mas o PT ainda crê que ele é o nome mais fácil de ser derrotado
Conselheiros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insistem que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o melhor adversário para que o petista consiga se reeleger, apesar de a última pesquisa de intenções de voto Datafolha não ter apresentado um resultado favorável.
A pesquisa entre os pré-candidatos à eleições presidenciais divulgada no sábado, 11, apontou que Lula foi ultrapassado numericamente pela primeira vez por Flávio Bolsonaro.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atingiu 46% de preferência do eleitorado num eventual segundo turno ante 45% do petista. Com Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo) como rival, Lula marca 45% a 42%. No primeiro turno o petista ainda está à frente de todos, mas as distâncias diminuíram.
Os resultados representam empates dentro da margem de erro. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades, de terça (7) a quinta (9), e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.
Assim como os demais institutos de pesquisa, o Datafolha tem apresentado a diminuição da distância entre Lula, como primeiro colocado, e Flávio, como segundo colocado nas intenções de voto para presidente da República no primeiro turno.
Uma parcela significativa dos petistas ficou alarmada com o fato de que, aparentemente, qualquer um dos principais adversários do campo da direita se mostra igualmente competitivo no segundo turno contra o presidente da República.
Isso aponta que Lula está com sua popularidade firmemente atada ao seu mau resultado nos levantamentos sobre o desempenho do governo, apesar dos índices positivos na área de emprego e até de inflação ao longo de sua administração.
Num primeiro momento, para a cúpula do governo, a culpa recai sobre a área de comunicação, que não estaria conseguindo se opor satisfatoriamente às campanhas da oposição.
O rombo provocado pelo do Banco Master no mercado, por exemplo, é atribuído pela opinião pública a falhas do governo, embora envolva majoritariamente figuras dos partidos do centrão e até bolsonaristas que receberam dinheiro.
Começa a circular dentro do PT a versão de que é preciso uma mexida mais profunda nas peças da comunicação. No entanto, o comando da campanha afirma que não há motivos para grandes preocupações. Pois o que está ocorrendo neste momento seria exatamente aquilo pelo qual se torcia: a consolidação de Flávio Bolsonaro como principal adversário de Lula.
Para o comando da campanha o senador é o nome mais fácil de ser derrotado na direita, devido a seu "telhado de vidro" e à própria ligação com o pai, que o deu visibilidade.
Está sendo preparada uma bateria de peças de campanha em cima do passado de Flávio - acusação de prática de rachadinhas em seu gabinete, super vendas na sua loja de chocolates do Rio de Janeiro, compra da mansão em Brasília e supostas ligações com milicianos.
Tudo será juntado apeças sobre o governo do pai, apontando privilegiamento dos ricos em detrimento dos pobres, busca de comida no lixo, campanha contra vacinas, mortes pelo Covid-19, etc. A ideia será desconstruir a imagem de bonzinho que Flávio está tentando construir.
Isto deu certo em eleições passadas, na disputa entre o tucano José Serra e o ex-governador Ciro Gomes, do Ceará. Mas Serra não conseguiu descontruir Lula, nem Dilma Rousseff.