Clã Bolsonaro admite negociar, mas sem dar poder a Kassab
"O Kassab é guloso, vai pedir demais", disse Flávio a um senador aliado.
Não surpreenderam à família Bolsonaro as declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de que pode negociar, no segundo turno das eleições, o apoio do partido a um candidato a presidente da República de outra legenda.
Kassab afirmou, durante um evento do banco Bradesco em São Paulo, na terça-feira (7), que se o pré-candidato a presidente da República pelo PSD, Ronaldo Caiado (GO), atingir 15% dos votos no primeiro turno das eleições "está ótimo", porque dará ao partido poder de negociação no segundo turno. Disse o presidente do PSD:
"É muito importante para o Brasil essa alternativa, nem que fosse para perder. [...] Vão falar: 'mas não vai para o segundo turno'. Bom, mas se não for para o segundo turno, e eu acho que pode ir, mas se tiver 15%, ótimo. São 15% que nós vamos chamar alguém, porque essa alternativa ela é séria, e falar: 'olha, nós vamos apoiar porque nós queremos isso, isso, isso'."
A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 8, apresentou no cenário estimulado de primeiro turno o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40,4% das intenções de voto para o Palácio do Planalto e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 37%. Ronaldo Caiado ficou mais distante, em terceiro lugar, com 6,5%. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) empatam com 3% cada, e Aldo Rebelo (DC) marca 0,6%. Brancos e nulos somam 1%, e o eleitorado indeciso é de 8,5%.
A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em todo o Brasil, de sexta, 3, até esta terça, 7, por meio de entrevistas telefônicas. O intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-00605/2026.
A permanecerem essas colocações após a abertura das urnas em outubro, Caiado de fato não estará no segundo turno. A expectativa no PL é de que ele não terá outra alternativa que não seja a de apoiar Flávio Bolsonaro. É aí que Kassab pretende negociar, acreditam os bolsonaristas. Mas a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acha que, se Flávio vencer as eleições, o presidente do PSD irá se considerar sócio do futuro governo.
"O Kassab é guloso, vai pedir demais", disse Flávio a um senador aliado, "mas não vamos entregar o poder a ninguém. Se vencermos é para governar".
Na verdade, Gilberto Kassab sabe que nunca gozou da simpatia do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. A negociação tende a ser difícil. Mas Ronaldo Caiado tem proximidade com o clã, embora ele e Bolsonaro não cheguem a ser amigos. Bateram de frente diversas vezes, inclusive durante a pandemia da Covid-19. O médico Caiado defendeu vacinação ampla e o então presidente praticamente boicotou as campanhas. Mas, ideologicamente, Caiado dificilmente apoiaria o petista Lula.
Já Kassab tem boa relação com o atual presidente da República. Poderá oferecer o apoio do PSD no segundo turno. Só terá que driblar resistências internas no partido.