MG: Pacheco candidato deixa Alexandre Silveira sem espaço
O presidente do PSD,Gilberto Kassab, resolveu usar o estado para equilibrar a balança do partido no país entre aliados e opositores a Lula
Rompido com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), ficou inviabilizado na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o governo de Minas Gerais. Por isso, resolveu não concorrer a nada e continuar no governo.
Pacheco deverá anunciar até o final do mês, ou início de maio, sua candidatura ao Palácio da Liberdade. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), será a candidata ao Senado pela chapa. Pacheco negocia com União Brasil, PDT e MDB as outras duas vagas: uma, para o Senado, e a outra, de vice.
O PSD de Alexandre Silveira também fechou as portas para a candidatura do ministro ao Senado. Em Minas, o partido foi para oposição ao filiar Mateus Simões, então vice-governador do pré-candidato a presidente Romeu Zema (Partido Novo), e o senador Carlos Viana.
Presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, Viana marcou pontos com a oposição bolsonarista ao tentar aprovar um relatório envolvendo o filho do presidente Lula com o desvio de pensões dos aposentados. Foi escalado para bater chapa contra a petista Marília Campos.
O que se diz em Minas Gerais é que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, resolveu usar o estado para equilibrar a balança no partido entre aliados e opositores a Lula. Com o Rio de Janeiro e o Nordeste a favor do governo federal, ele decidiu puxar a balança para o oposicionismo com Minas Gerais e a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado.
É provável que Caiado não consiga ir ao segundo turno e acabe apoiando o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, se este chegar lá. Se o bolsonarismo vencer, o partido de Kassab será sócio do futuro governo. Mas, se perder, Kassab volta-se para Lula, com quem sempre teve um bom diálogo.
É com base na hipótese de Caiado apoiar Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno, que o ministro Alexandre Silveira convenceu Lula de que ele deve permanecer na equipe do presidente. No segundo turno, Silveira pode ajudar a dividir o PSD no estado, evitando o apoio maciço dos cabos eleitorais da sigla ao candidato presidencial do bolsonarismo.
Aliados de Rodrigo Pacheco ironizam a articulação de Alexandre Silveira de duas formas: a primeira é lembrando que ele não tem partido para agregar à candidatura do presidente Lula; a segunda é que ele está comprando “fiado” a permanência no governo. Fica no cargo agora e paga depois, se tiver segundo turno.
No Palácio do Planalto, no entanto, a versão é que Lula não quis mexer no Ministério das Minas e Energia em um momento de crise internacional do petróleo devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Não se sabe quanto tempo a guerra vai levar e muito menos o tamanho exato do estrago que causará no mercado de combustíveis, com prováveis consequências sobre taxas de inflação no mundo inteiro, como já está ocorrendo com o fechamento do estreito de Ormuz.