Lula já vê Messias com votos para o STF e encara Alcolumbre
Presidente acha que Jorge Messias já tem votos para o STF e é hora de colocar um ponto final na queda de braço com o presidente do Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à conclusão de que o advogado-geral da União, Jorge Messias, já tem votos suficientes para sua indicação como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ser aprovada pelo Senado.
Com base nessa avaliação, Lula acha que já é hora de colocar um ponto final na queda de braço com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em torno da vaga aberta em outubro do ano passado com o pedido de aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
O presidente do Senado tentou emplacar para a vaga o senador por Minas Gerais Rodrigo Pacheco (ex-PSD e agora PSB), mas Lula queria Pacheco como candidato a governador, o que foi anunciado nesta quarta-feira, 1º de março.
A indicação formal de Messias também ocorreu nesta quarta-feira após o envio ao Senado da mensagem presidencial. Por causa da resistência de Alcolumbre, Lula segurou a mensagem por quatro meses após ter anunciado a opção pelo advogado-geral da União, em novembro do ano passado.
"A bola agora está com o Alcolumbre", disse Lula a interlocutores. Segundo ele, se o presidente do Senado quiser derrubar a indicação de Messias, ele terá que assumir "as consequências".
Primeiro, junto aos demais ministros do STF, cuja maioria tem um relacionamento muito bom com Alcolumbre.
Hoje é a este grupo que o presidente do Senado começa a incomodar ao não marcar a data para a sabatina, atrasando o preenchimento da 11ª vaga da Corte. Enquanto o novo ministro não tomar posse, aumenta a quantidade de casos distribuídos aos demais dez atuais titulares do Supremo.
O atraso recorde na sabatina também já desagrada aos próprios senadores. Até o maior partido da oposição, o PL de Jair Bolsonaro, já apoia a indicação de Messias, graças ao trabalho da bancada evangélica mobilizada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pelo ministro do STF André Mendonça, também evangélico.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já dá como aprovado o nome do advogado-geral da União pelos senadores. "Eles têm maioria no Senado. Têm maioria. Aprova. Pode escrever. Aprova. Eles não têm o que falar do Messias", disse em entrevista recente.
Messias é diácono da Igreja Batista. Frequenta cultos desde pequeno no Recife, incentivado pela mãe, também evangélica. Os evangélicos têm grande proximidade também com a comunidade judaica. Alcolumbre é judeu praticante, mas ele atribuiu a outro judeu, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), o lobby contra a indicação de Pacheco para o STF.
Wagner é o parlamentar mais próximo de Lula no momento. Sempre soube que Lula não indicaria Pacheco para o STF porque o queria como candidato a governador. Por isso, o líder trabalhou em favor de Messias, que foi seu assessor. Agora ele espera conseguir acalmar Alcolumbre.
Tem a seu favor o interesse do presidente do Senado no apoio de Lula a seu candidato à reeleição no Amapá, o governador Clécio Luis (União Brasil), que está sendo superado nas pesquisas pelo prefeito de Macapá, Dr Furlan (PSD).