Eduardo Leite encosta o PSD de Kassab contra a parede
"O PSD tem que decidir se vai defender indulto, anistia", disse o governador apontando o dedo para o bolsonarismo da opção por Ronaldo Caiado
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, declarou, durante encontro ontem com Gilberto Kassab, presidente nacional de seu partido, o PSD, que não aceita ser vice de Ronaldo Caiado e ameaçou até não concorrer a cargo nenhum nem mesmo em seu estado.
"Se não houver a possibilidade de concorrer à Presidência da República, eu permaneço como governador até o final do meu mandato", declarou.
Ao explicar o motivo da decisão, Eduardo Leite acabou colocando o presidente de seu partido em xeque. Disse que deseja ser candidato à Presidência da República porque discorda "frontalmente" tanto do PT como dos bolsonaristas.
A desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, de disputar o Palácio do Planalto deixou Kassab com uma batata quente na mão: dos dois outros pré-candidatos ao Palácio do Planalto que o PSD vinha apresentando, um deles, o governador de Goias, Ronaldo Caiado, é marcadamente ultradireitista e ultraconservador. Muito semelhante aos bolsonaristas. O outro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tem um perfil centrista distanciado do bolsonarismo.
Leite afirmou após o encontro com Kassab: "O PSD tem que decidir se vai defender indulto, anistia, ou se vai ser o partido que falará de um Brasil diferente, sem adesão a um polo ou outro."
Indulto e anistia são benefícios prometidos por Ronaldo Caiado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Identificam a proximidade do governador com o eleitorado bolsonarista.
Ao optar pela candidatura de Caiado, o PSD, segundo Eduardo Leite, estará deixando claro que na polarização entre bolsonaristas e petistas, está do lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Kassab vinha afirmando que seu partido não participaria da polarização entre o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas, na verdade, o que Kassab sempre quis foi fazer parte dessa polarização, sendo chamado a aderir a um lado ou a outro.
Quando resolveu filiar ao partido três pré-candidatos a presidente da República – Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite – ele colocou seu partido na vitrine para alianças tanto à esquerda como à direita.
Houve quem especulou até sobre a hipótese de o próprio Kassab ou Eduardo Leite serem o vice da aliança com Lula, assim como Ratinho Junior ou Caiado se tornarem a opção para vice na chapa bolsonarista. O PSD estava pronto para seguir em qualquer direção.
Mas eis que Ratinho Junior implodiu essa estratégia, e Caiado assumiu a ponta das pesquisas sobre as opções que restam ao partido. E Eduardo Leite colocou o dedo na ferida: "O PSD vai dar indulto a Bolsonaro? É bolsonarista?"
Ao escolher por Caiado, o partido se apresentará como uma segunda opção bolsonarista.
É tudo o que deseja o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro: se é para votar no ultraconservadorismo de direita, por que optar pela cópia em vez de escolher um Bolsonaro autêntico?