Ministros do STF atribuem a Sidônio articulação para afastar Toffoli
Ministros não morrem de amores por Toffoli, mas acham que seu afastamento do Supremo abriria a porteira contra outros integrantes da Corte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode entrar em rota de colisão com o Supremo Tribunal Federal se abraçar a causa de afastar Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação dos integrantes da Corte, partem do Palácio do Planalto, mais especificamente da ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, as notícias de que Dias Toffoli deverá apresentar um pedido de licença para afastar o risco de sofrer impeachment.
Toffoli não conta com muita simpatia de seus colegas na Corte. Mas a interferência do Poder Executivo por motivos eleitorais é vista como absolutamente inaceitável.
Os demais integrantes do STF não concordam com a forma como ele se comportou quando assumiu a relatoria do caso envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. Toffoli retardou e atrapalhou as investigações da Polícia Federal.
Para piorar, foi descoberto como sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort de sua família, o Tayayá, no interior do Paraná, a um fundo de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Mas os ministros do STF acham que o problema foi superado quando ele passou a relatoria ao ministro André Mendonça.
Já atuação da Sidônio Palmeira é interpretada no STF como uma tentativa de evitar que o desgaste de Dias Toffoli contamine a popularidade do presidente Lula na campanha por sua reeleição. Ou seja, tem uma motivação eleitoral que joga sobre o Supremo a responsabilidade pela queda de popularidade do governo.
Assustou aos ministro porque todos sabem que o presidente Lula nunca perdoou Toffoli por ter impedido que ele comparecesse ao velório do irmão, quando esteve preso pela Operação Lava Jato.
A eventual saída de Toffoli, com o apoio do governo, serviria ainda para "abrir a porteira" ao impeachment de outros ministros. E o primeiro a fila seria justamente Alexandre de Moraes.
Foi descoberto que o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci, tinha um contrato com o Banco Master prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, no valor total de R$ 129 milhões.
O ministro Moraes é considerado o maior credor do governo no STF por sua atuação como relator da condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados da tentativa de golpe de Estado que resultou na invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
O afastamento de Toffoli seria uma forma de jogar Moraes aos leões, segundo seus colegas na Corte. Diferentemente de Toffoli, Moraes conta com um maior arco de aliados dentro do STF.
Por tudo isso, os ministros afastam completamente a possibilidade de Toffoli pedir licença do Supremo. Aqueles integrantes da Corte que têm mais trânsito junto ao Palácio do Planalto estão convencidos de que já até tiraram essa ideia da cabeça de Lula e de ministros mais próximos do presidente.