Lula torce por Bolsonaro

Tudo o que a equipe de Lula não quer é que Bolsonaro se transforme num mártir como em 2018, capaz de definir o resultado da eleição

Por Tales Faria

Problemas de saúde atuais são consequência da facada de 2018, diz a família Bolsonaro. Presidente já postou diversas fotos em cama de Hospital

É grande a torcida no Palácio do Planalto e no Alvorada pela recuperação plena e rápida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Isso mesmo! Tudo o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não quer é que Bolsonaro se transforme num mártir capaz de definir o resultado da eleição presidencial sem participar da campanha.

Foi o que aconteceu na eleição de 2018, quando Adélio Bispo dos Santos atingiu o candidato Bolsonaro com uma facada durante comício em Juiz de Fora (MG). O agressor acabou considerado inimputável (doença mental) pelo Justiça e, portanto, isento de pena criminal. Ele cumpre medida de internação por tempo indeterminado, permanecendo preso no presídio federal de Campo Grande (MS).

Bolsonaro passou o resto da campanha internado, não precisou participar de mais nenhum debate, nos quais vinha se saindo mal. Considerado, então, um mártir da ultradireita, acabou derrotando seu adversário da época, o petista Fernando Haddad. Lula havia sido preso pela Operação Lava Jato.

Agora Bolsonaro não é candidato. Mas colocou em seu lugar o filho Zero-Um, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, na avaliação dos assessores de Lula, será o grande beneficiário de um eventual processo de transformação do pai, no imaginário do eleitorado, novamente em um mártir.

Além de desejar a plena recuperação, a equipe de Lula também torce para que o ex-presidente fique bom rapidamente. A demora dele no hospital, segundo os auxiliares de Lula, beneficia a campanha de Flávio Bolsonaro.

Segundo boletim médico do hospital DF Star divulgado na manhã deste domingo, o ex-presidente permanecerá internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para “tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração”. Ele não tem previsão de alta do hospital e nem mesmo da UTI.

Seu quadro clínico, "evoluiu com estabilidade clínica e melhora da função renal, porém com nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue. Em decorrência destas alterações, houve necessidade de ampliar a cobertura dos antibióticos".

Não está dito com todas as letras, mas o quadro não é bom. Esta é a 3ª pneumonia enfrentada pelo ex-presidente. Segundo médicos, é a mais severa até o momento. O cardiologista Leandro Echenique, um dos que assinaram o boletim, afirmou na sexta-feira (13) que houve risco de morte do ex-presidente pela infecção, mas que a agilidade da internação e o início imediato do tratamento reduziram o perigo.

Assim que for dada alta a Bolsonaro, sua família e seus advogados pretendem dar entrada no Supremo Tribunal Federal (STF), em novo pedido de prisão domiciliar com base em seus seguidos problemas médicos.

Em 15 de janeiro o ministro Alexandre de Moraes autorizou sua transferência de uma sala na Superintendência da Polícia Federal para uma cela especial na chamada Papudinha. Trata-se de uma área do 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília reservada para policiais e militares condenados e outras autoridades, onde já estão o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques.

Ganhou o apelido de "Papudinha" apenas por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. A cela de Bolsonaro é a maior com área íntima reservada e uma equipe médica próxima sempre a postos.

Até agora, Moraes tem negado todos os pedidos de mudança do regime de detenção para prisão domiciliar.