O adversário de Lula nas pesquisas é a imagem de seu governo
Pesquisas do próprio governo apontam que faz pouca diferença o adversário de Lula. A imagem do governo é que será decisiva na eleição
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não é o verdadeiro adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano. Nem os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Muito menos os governadores pessedistas de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Pesquisas encomendadas para a pré-campanha de Lula à reeleição apontam que o grande adversário do presidente é a imagem de seu governo.
Os levantamentos apontam que Lula venceria todos os adversários no primeiro turno das eleições de outubro, mas não com uma diferença de votos suficiente para evitar o segundo turno.
As pesquisas apontam empate técnico se a disputa ficar entre Lula e Flávio Bolsonaro. O mesmo ocorreria se Lula disputasse contra Tarcísio de Freitas ou contra e Ratinho Júnior. Os três governadores conseguem taxas de intenção de votos quase idênticas no segundo turno. Caiado e Eduardo Leite ficaram um pouco abaixo nas intenções de voto, mas não muito distantes.
O que os levantamentos trouxeram de interessante foi que o adversário de Lula faz pouca diferença para o segundo turno. Então o principal a ser atacado é a imagem do governo Lula junto ao eleitorado.
O bom desempenho de Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas sequer é visto como grande problema pelos analistas do governo. O fato de Flávio ser o mais bem colocado no campo da oposição até tranquiliza. Motivo: entre todos os pré-candidatos, o filho Zero-Um do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é o que detém maior taxa de rejeição do eleitorado. Ele está empatado com Lula neste quesito.
A análise dos dados permite concluir que o problema de Lula está mais ligado à avaliação do desempenho do governo pela opinião pública, enquanto a rejeição de Flávio tem a ver com seu próprio perfil, o de seu pai e o da sua família.
Já que o grande adversário do presidente na campanha eleitoral será a imagem de seu governo, o que ele necessita é melhorar a percepção de seu governo na opinião pública. Daí porque Lula está pedindo à sua equipe de comunicação para centrar forças na melhoria da imagem do governo. Esse ponto, segundo ele acredita, é essencial para conseguir se reeleger.
Na avaliação dos assessores do presidente, há problemas objetivos do governo que precisam ser atacados, como obter taxas mais baixas de juros. Não é fácil. Só será possível via um mínimo de ajuste nas contas públicas e torcer para que o quadro internacional não se agrave muito.
Os assessores do presidente acreditam que o governo também tem um sério problema na área política. Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, são mais próximos do governo do que da oposição e do centrão. Isso colocou o governo no alvo da artilharia da mídia quando a oposição é que teria mais ligações com Vorcaro.
Mas o fato é que o clima de crise nas instituições acaba atingindo o governo. No momento, essa é a grande preocupação da equipe de comunicação para as eleições.