PT abre negociações com Kassab

Presidente nacional do PT, Edinho Silva disse à coluna que está "tendo conversas com Kassab"

Por Tales Faria

Gilberto Kassab e o Presidente Lula

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, resolveu aproveitar o distanciamento entre o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro e os partidos de centro para atrair o apoio dessas legendas à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, confidenciou a aliados que o próprio Edinho Silva lhe contou já estar conversando também com o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

As negociações do PL para formação das chapas de direita nos estados têm atrapalhado e "deixado sequelas" na relação dos bolsonaristas com os partidos de centro, segundo disse à coluna o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Ciro tem protestado contra o rompimento do acordo em Santa Catarina. O PL lançou Carlos, o filho Zero-Dois de Bolsonaro, como candidato ao Senado. Desalojou o senador Esperidião Amin. Em Brasília, o PL derrubou a candidatura ao Senado do governador Ibaneis Rocha (MDB).

O próprio Edinho Silva confirmou à coluna que está "tendo conversas com Kassab". Há no PT quem defenda um convite ao presidente do PSD para figurar como vice na chapa de Lula. Não são conversas simples, já que o PSD tem três pré-candidatos a presidente da República: os governadores Ratinho Junior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goias) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Além disso, o PSB já declarou que não abre mão do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, como vice na chapa de Lula. No PT, afirma-se que Alckmin seria um forte candidato ao Senado contra os bolsonaristas em São Paulo. A chapa teria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), concorrendo a governador e Simone Tebet, ao Senado.

Tebet disse que seu futuro depende do presidente Lula. Ela estuda transferir-se do MDB para o PSB e mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

A dificuldade para Lula seria convencer Alckmin a desistir da vice e Haddad, a disputar contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Quanto a Gilberto Kassab, o que se diz, tanto no PT como no PSD, é que ele sempre quis ser vice de Lula. Numa aliança formal com o PT contra Bolsonaro, não seria impossível atrair o apoio de Ratinho e Eduardo Leite. Caiado ficaria neutro.

Em favor da aproximação entre PSD e PT tem a irritação de Kassab com o fato de o PL e o candidato do partido à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), criticarem nos bastidores a indicação do vice-governador Felicio Ramuth (PSD) para permanecer como vice na chapa de Tarcísio.

Os caciques do PSD em boa parte dos estados já estão aliados ao PT para as eleições de outubro. Naqueles em que se aproximam do PL estão irritados com as tentativas da família Bolsonaro de montar chapas puro-sangue. Essas articulações, antes restritas aos bastidores, se tornaram públicas com o vazamento de uma listagem preparada pelo comando nacional do PL, sob o título "Situação nos estados", que contém anotações do próprio Flávio Bolsonaro, com a estratégia da família para enfraquecer os aliados nas alianças estaduais.

Além de Ramuth em São Paulo, Flávio criticou a escolha, em Minas Gerais, do vice-governador, Mateus Simões, que é do PSD, para candidato da direita ao governo do estado. "Ele me puxa para baixo" escreveu de próprio punho o filho de Jair Bolsonaro.

Segundo caciques do Centrão, o bolsonarismo é que está puxando os aliados para fora.