Os Bolsonaro espantam aliados

O clã Bolsonaro bate de frente contra aliados nas eleições pelo país

Por Tales Faria

Jair Bolsonaro, Michele e filhos se espalham nas eleições pelo país

Quem contou a história foi nada mais, nada menos que o presidente nacional do PL. Ele diz que participava em Brasília, junto com Michelle Bolsonaro (PL), de uma reunião com o governador, Ibaneis Rocha (MDB), e a vice-governadora, Celina Leão (Progressistas). Discutiam alianças para a eleição de outubro, quando foi surpreendido por uma fala da ex-primeira-dama:

"A Michelle disse ao governador: "eu apoio a Celina, mas não apoio o senhor."

Valdemar disse que tomou um susto. O mesmo ocorreu com Ibaneis. O governador está em seu segundo mandato e já não pode concorrer à reeleição. Ele é pré-candidato ao Senado, assim como Michelle Bolsonaro, e pretendia formar chapa com a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tomou um não pela frente.

Em Brasília, o bolsonarismo trabalha uma chapa puro-sangue ao Senado: Michelle e Bia Kicis. Foi o que a ex-primeira-dama e seu marido desenharam no presídio da Papudinha, onde o ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

O mesmo quadro está se desenhando em outros estados, com o clã Bolsonaro abrindo guerra contra possíveis aliados de outras legendas e até mesmo dentro do PL.

No sábado, 21, após visitar o pai no presídio, Carlos Bolsonaro postou nas redes sociais que o pai está elaborando uma lista de candidatos para os cargos em disputa nos estados.

"Meu pai[...] pediu que informasse [...] que está confeccionando, inicialmente, uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes."

Valdemar Costa Neto foi procurado pelo site Poder360 para comentar o tema e respondeu:

"Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. [...] Nós indicamos os governadores.

Carlos não gostou. Voltou às redes e disparou: "A fala não foi minha, foi do presidente Jair Bolsonaro." E atacou bem a seu estilo:

"O PL poderia dar uma força inclusive em outras situações. Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar! Deixar o PRESO POLÍTICO isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais… estranho!"

Vereador eleito pelo Rio de Janeiro, Carlos transferiu seu título para Santa Catarina, onde quer concorrer ao Senado. Desalojou da chapa um aliado do PP, o senador Esperidião Amin.

Com apoio do pai, acabou arrumando briga com o presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), com quem estava acertada a aliança. "Nós do Progressistas somos do tempo em que acreditávamos em palavra", declarou Ciro à imprensa, acrescentando que o partido fará aliança com outras siglas no estado.

O presidente do PP já andava desgastado com o PL que lançou o senador Flávio Bolsonaro para presidente, impedindo a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Palácio do Planalto.

Em São Paulo, outra encrenca, desta vez com o filho Zero-Três do ex-presidente. Exilado nos EUA, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) tenta impor como candidato ao Senado, contra o desejo do governador, o deputado estadual Gil Diniz (PL), considerado seu braço direito no estado. Tarcísio não quer briga. Ainda não se pronunciou.

À espera de evitar briga com o clã também está o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), diante dos boatos de que o senador Flávio Bolsonaro estaria trabalhando para fazer