Lula teme que saída de Toffoli do STF atrapalhe acerto com Pacheco
O presidente não gosta de Toffoli, mas não quer que ele deixe o STF, pois teme que a vaga atraia Rodrigo Pacheco e ele desista de concorrer a governador de Minas
É verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que o ministro José Antonio Dias Toffoli foi sua pior indicação para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com longa carreira no Partido dos Trabalhadores, Toffoli era advogado-geral da União, em 2009, quando Lula o indicou para o STF por sugestão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT). Mas o presidente se sente traído pelo antigo subordinado.
É que, quando estava preso por conta das denúncias da Lava Jato, Lula foi impedido, por decisão do ministro Dias Toffoli, de participar do velório do irmão Vavá, morto em 2019. Assim que tomou posse no Palácio do Planalto, ele rechaçou uma tentativa do ministro de se reaproximar.
É verdade também que, caso Toffoli peça para deixar o cargo, abre-se uma vaga na Corte. Teoricamente, isso seria bom para o presidente da República, já que caberia a ele a indicação do substituto.
Então é verdade que o presidente não ficará triste por Toffoli, caso o ministro seja obrigado a pedir afastamento do cargo ou sofra impeachment.
Mais ou menos.
Lula disse a assessores que não moverá uma palha para ajudar Toffoli, mas também não está torcendo para ele perder o cargo neste momento em que o ministro está sob suspeitas de ter escondido suas ligações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, após assumir a relatoria do processo contra o banqueiro no Supremo.
Tem um motivo para Lula não torcer pelo afastamento do ministro neste momento. Chama-se Rodrigo Pacheco. O senador pelo PSD de Minas Gerais com quem o presidente da República se encontrou nesta quarta-feira, 11, e voltou a insistir que ele se candidate a governador de Minas Gerais.
Lula disse a Pacheco que ele "será a melhor e única opção" do PT e do governo federal como candidato ao Palácio da Liberdade. Pacheco ficou lisonjeado, mas não bateu o martelo. Respondeu apenas que se sente "compromissado com Minas e com o Brasil", mas que ainda irá decidir.
Na verdade, o senador não pode ser candidato por seu partido. O PSD, já tem o vice-governador Mateus Simões como pré-candidato. Então Pacheco terá que se acertar com outra sigla antes de decidir. As opções partidárias para ele em Minas Gerais são o PSB, o União Brasil, ou o MDB.
O PSB o acolheria certamente, mas Pacheco acredita que seu eleitorado não quer vê-lo num partido de esquerda. O União Brasil é a primeira opção, mas depende de seu amigo e presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), convencer o Diretório mineiro a adotá-lo como candidato. E, no MDB, precisaria se acertar com o ex-vereador Gabriel Azevedo, que já se anunciou como pré-candidato.
Mas Lula sabe que o jurista Rodrigo Pacheco deseja mesmo é assumir como ministro do Supremo Tribunal Federal. Quando o ministro Ricardo Lewandowski deixou a Corte, Pacheco esteve cotado para a vaga. Alcolumbre e os senadores do centrão fizeram um forte lobby em seu favor, mas Lula optou pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
Este é o grande temor do presidente: se Dias Toffoli sair do STF, Pacheco voltará a se interessar pela vaga na Corte e não concorrer a governador.
E vão para o espaço os já tão difíceis planos de Lula em Minas Gerais.