Janja no Carnaval e samba-enredo pró-Lula dividem o governo
Auxiliares de Lula procuram uma fórmula de contenção de danos para Lula e Janja da Silva com o desfile da Acadêmicos de Niterói
Já se discute no Palácio do Planalto uma estratégia para a contenção dos danos que venham ser causados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo samba-enredo em sua homenagem que será apresentado no desfile do Carnaval do Rio pela Acadêmicos de Niterói.
A escola de samba se apresentará no domingo, 15, na Marquês de Sapucaí, na abertura do Grupo Especial. Auxiliares de Lula temem que a apresentação seja considerada campanha antecipada e resulte numa punição da Justiça eleitoral contra a candidatura à reeleição do presidente da República.
Além disso, há risco de que a polêmica em torno do uso eleitoral do samba-enredo conte pontos contra o presidente nas pesquisas de opinião.
Também está sendo criticada dentro do governo a participação da primeira-dama, Janja Lula da Silva. Sua presença junto aos integrantes da escola, durante o desfile, reforçaria a tese de manipulação eleitoral com uso do samba-enredo em homenagem a Lula.
É considerado um risco o próprio fato de o presidente República assistir ao desfile no camarote da Passarela do Samba, para o qual foi convidado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD).
Um risco não só do ponto de vista da legislação eleitoral, como também de que uma parte plateia resolva vaiar o presidente.
Os auxiliares que temem pelos estragos chegaram a sugerir que Lula faça uma manifestação pública agradecendo à Acadêmicos de Niterói, mas desmarcando a sua ida e a de Janja ao Sambódromo.
O presidente da República justificaria a ausência com o argumento de que seria “para evitar que os adversários misturem o Carnaval com a campanha eleitoral”.
Mas Lula não havia se convencido até esta quarta-feira,11, de que há perigo na presença no Sambódromo, ainda mais porque a primeira-dama tem se mostrado muito empolgada.
Há também auxiliares do presidente empolgados com a possibilidade de assistir ao desfile no camarote do prefeito Eduardo Paes (PSD).
Estes auxiliares argumentam que também se falou nas vaias contra Lula como argumento para ele não participar da abertura dos Jogos Pan-americanos de 2007, durante seu segundo mandato como presidente.
Lula foi vaiado, o que gerou trocas de farpas com o então prefeito César Maia, a quem atribuiu ter armado a manifestação. Segundo os auxiliares favoráveis à participação no Carnaval, aquelas vaias não resultaram em queda de popularidade para o presidente.
Mas os críticos à participação dizem que, assim como as vaias no Pan teriam sido armadas por Cesar Maia, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) podem armar um esquema de vaias agora no Sambódromo. E a ultradireita, hoje, está muito mais barulhenta do que na época dos Jogos Pan-americanos de 2007.
Outro argumento dos defensores da participação do presidente é que a condenação por antecipação da campanha eleitoral não é uma grande problema.
Lembram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou em setembro de 2022 o então presidente Jair Bolsonaro por antecipação da campanha eleitoral. A medida foi motivada por uma ação protocolada pelo PT.
Os ministros entenderam que o candidato realizou campanha antecipada no dia 19 de abril durante discursos proferidos nos eventos de Lançamento da Marcha para Jesus e na 45ª Assembleia Geral Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, em Cuiabá. Antes dos eventos, uma motociata foi realizada na cidade.
Bolsonaro recebeu uma multa de R$ 5 mil, pagou e pronto.
