Alckmin diz que não é empecilho, mas PSB insiste na chapa

Versões diferentes de Alckmin e João Campos para a chapa presidencial deixam problema nas mãos de Lula, mas PT e PSB começaram a discutir detalhes

Por Tales Faria

Alckmin, João Campos e Lula

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não é "empecilho" à formação da chapa pela reeleição de Lula com outro partido.

Alckmin, no entanto, reafirmou seu desejo de não concorrer a nenhum cargo eletivo se tiver que sair da chapa. No entanto ele deixou uma porta aberta para o presidente na medida em que afirmou estar disposto a ajudar Lula em qualquer posição. Ou seja: não quer outro cargo, mas pode se dobrar ao um pedido insistente e especial do presidente.

Essa, no entanto, não foi exatamente a versão que Lula ouviria no encontro desta terça-feira, 10, com o presidente nacional do PSB, o prefeito do Recife, João Campos.

O filho do ex-governador Eduardo Campos – que era um velho amigo de Lula e foi morto num acidente de avião quando estava em campanha pela Presidência da República - disse a interlocutores que ia ao encontro com Lula para deixar claro que o PSB não só gostaria, como "considera importante" que Alckmin permaneça na posição de vice da chapa pela reeleição do presidente da República.

À saída do encontro, ele confirmou à imprensa o desejo do partido de continuar na chapa.

Segundo Campos e os articuladores do PSB, a permanência na chapa é importante para a estratégia do partido de aumentar sua bancada federal nas eleições de 2026, tanto na Câmara como no Senado.

A formação da chapa no nível nacional, embora crie regras para as campanhas dos partidos na TV e no rádio em todo o país segundo a legislação eleitoral, não obriga a reprodução da aliança nos estados.

Isso, naturalmente, pode criar alguns choques de interesse entre os dois partidos nas montagens das listas de candidatos nos estados. Daí porque será preciso, segundo os pessebistas, o apoio do PT a algumas reivindicações do PSB nos estados, de tal forma que não haja uma autofagia das campanhas.

Nas disputas pelos governos estaduais, o PSB tem dois candidatos a governador pelo partido cuja eleição considera prioridade. São eles, Ricardo Capelli, no Distrito Federal, e o próprio João Campos no Recife.

Na verdade, Campos, na qualidade de presidente do partido, ficou de levar a Lula que o PSB gostaria que estes dois candidatos também sejam tratados como prioridade da aliança nacional com o PT.

No caso de outros possíveis candidatos a governador pelo PSB, o partido entenderá as prioridades do PT.

Também há questões relativas ao financiamento eleitoral que precisam ser discutidas mais detalhadamente segundo o PT e o PSB. Lula disse a Campos que esse assunto é para ser tratado entre os presidentes das duas legendas, ou seja, João Campos e Edinho Silva. Mas que ele, Lula, dará total apoio a que se atendam as necessidades do PSB.

Uma das questões colocadas por Campos é a transferência da ministra do Planejamento, Simone Tebet, do MDB para o PSB. Ela já foi convidada formalmente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo próprio João Campos, mas ainda não tinha batido o martelo até o início da reunião.

Nos planos de Lula, Simone transfere o título eleitoral para São Paulo, podendo tanto ser candidata ao governo do estado como ao Senado. Num caso ou noutro, o PSB quer que a campanha da ministra em São Paulo seja totalmente custeada com a maior parte dos recursos vindo do PT.

Ou seja, ainda há muitos detalhes a serem costurados. Mas a conversa dos dois partidos entrou nos momentos decisivos e a expectativa é de que os acordos sejam amarrados logo após o Carnaval. Sem deixar cinzas.